PF desarticula esquema milionário de fraudes contra a Caixa Econômica Federal
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Fallax, resultando na prisão de 14 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A ação visa desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal e lavagem de dinheiro, com prejuízos que podem ultrapassar R$ 500 milhões.
Articulador do esquema segue foragido
Entre os principais alvos está Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, natural de Americana (SP), apontado como o responsável pela criação de empresas de fachada utilizadas no esquema. Segundo o delegado Henrique Souza Guimarães, da PF, Thiago "conseguia cooptar pessoas com pagamento de importâncias" e mantinha uma vida de luxo, incluindo festas com cantores sertanejos. Ele e outros seis investigados permanecem foragidos.
Modus operandi da quadrilha
A organização criminosa atuava através de um esquema sofisticado que envolvia:
- Abertura de contas bancárias com empresas fictícias utilizando "laranjas" (pessoas que emprestavam seus nomes por valores ínfimos, como R$ 150 a R$ 200)
- Criação de uma pessoa fictícia exclusivamente para servir como laranja
- Cooptação de funcionários de instituições financeiras, incluindo gerentes da Caixa, que inseriam dados falsos nos sistemas bancários
- Conversão dos valores fraudados em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento
Abrangência nacional da operação
A PF cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo. As ações ocorreram em múltiplas cidades:
- São Paulo: Capital, Americana, Limeira, Santa Bárbara d'Oeste, Itapira, Rio Claro e região de Piracicaba (20 mandados de busca e 9 prisões)
- Rio de Janeiro
- Bahia
Entre os presos estão gerentes de bancos e contadores, além de Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, e Luiz Rubini, ex-sócio do mesmo grupo.
Ligação com facção criminosa
As investigações revelaram que Thiago Branco de Azevedo repassava as empresas de fachada criadas por ele para uma facção criminosa de São Paulo, facilitando a lavagem de capitais. O delegado destacou que "ele orquestrava a criação de empresas para possibilitar que pessoas pudessem fazer a lavagem de capitais".
Apreensões e medidas cautelares
Durante as buscas, a PF apreendeu:
- Computadores, documentos e aparelhos celulares em imóvel de luxo no Condomínio Terras do Imperador, em Americana
- Notebook, pen drive e munições calibre .38 e 9mm em Rio Claro
- Dois celulares e três máquinas de cartão de crédito em Limeira
Também foram determinadas medidas cautelares importantes:
- Bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até R$ 47 milhões
- Quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas
- Rastreamento de ativos financeiros para descapitalizar a organização
Penas severas aos investigados
Os envolvidos poderão responder por múltiplos crimes, incluindo:
- Organização criminosa
- Estelionato qualificado
- Lavagem de dinheiro
- Gestão fraudulenta
- Corrupção ativa e passiva
- Crimes contra o sistema financeiro nacional
As penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão, conforme detalhado pela Polícia Federal.
Investigação começou em 2024
A operação teve início no corrente ano, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas. A investigação ganhou impulso após compartilhamento de provas com a Justiça Estadual, revelando a extensão da rede criminosa coordenada por Thiago Branco de Azevedo.



