PT, PV e PCdoB pedem ao TSE suspensão de perfil de IA 'Dona Maria'
Partidos pedem ao TSE suspensão de perfil de IA 'Dona Maria'

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ouvidos pelo blog avaliam que as regras vigentes sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas eleições são insuficientes para enfrentar os desafios previstos para 2026. O tema já chegou à corte. Na última quarta-feira (22), os partidos PT, PV e PCdoB protocolaram uma ação por campanha antecipada contra o perfil 'Dona Maria', que já acumula quase 750 mil seguidores apenas no Instagram.

O que é 'Dona Maria'?

Dona Maria é uma personagem criada por inteligência artificial pelo motorista de aplicativo Daniel Cristino. Ela é representada como uma mulher negra, aparentando entre 50 e 60 anos. Os partidos alegam que o conteúdo não está claramente identificado como produzido por IA e que há veiculação de desinformação e falas descontextualizadas sobre políticos de esquerda.

Desafios para o TSE

Um dos maiores desafios apontados pelos ministros é a dificuldade de monitorar e avaliar todo o conteúdo gerado por IA, considerando que as ferramentas são cada vez mais baratas e acessíveis. A análise nas eleições deste ano deve se restringir aos conteúdos publicados por partidos políticos e candidatos, um universo reduzido em comparação ao que pode ser publicado.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Regras vigentes desde 2024

As regras atuais foram definidas em uma resolução de 2024 e incluem:

  • Transparência: todo conteúdo produzido por IA (áudio, vídeo ou texto) deve ser claramente identificado como tal.
  • Plataformas não podem sugerir candidatos: chatbots de IA generativa, como ChatGPT e Gemini, não podem emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou favorecer ou desfavorecer candidatos.
  • Proibição 72 horas antes e 24 horas depois das eleições: conteúdos alterados por IA que utilizem voz ou imagem de candidatos ou pessoas públicas, mesmo que rotulados, não podem ser publicados nesse período.
  • Inversão do ônus da prova: em julgamentos na Justiça Eleitoral, quem publicou o conteúdo deve comprovar sua regularidade, não quem o acusa.
  • Obediência às regras sobre ofensas e campanha antecipada: todas as demais regras eleitorais se aplicam a esse tipo de conteúdo.

Mudança de contexto em relação a 2022

Outro ponto destacado pelos ministros é o clima mais hostil na sociedade em relação à remoção de conteúdos da internet. Em 2022, o ministro Alexandre de Moraes enfrentou desgaste por essas remoções, mas a ameaça golpista legitimou a postura. Em 2026, há uma percepção crítica crescente, por exemplo, sobre o inquérito das fake news. Assim, toda remoção precisará ser muito bem embasada para não ser interpretada como cerceamento da liberdade de expressão.

Colaboração das plataformas

Outro desafio é a disponibilidade das plataformas em colaborar para mitigar o problema. Chatbots de IA generativa, por exemplo, continuam indicando candidatos, embora sejam proibidos desde 2024. O TSE vem realizando reuniões com representantes das big techs e firmando acordos de cooperação, mas, na avaliação de magistrados, esses acordos ainda são genéricos. Não há clareza sobre quais parâmetros devem ser incluídos para evitar situações problemáticas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar