Paciente baleada por médico residente recebe alta após tiroteio em hospital no Paraná
Paciente baleada por médico recebe alta após tiroteio em hospital

Paciente baleada por médico residente recebe alta após tiroteio em hospital no Paraná

Recebeu alta nesta sexta-feira (27) a paciente que foi atingida por um tiro de raspão disparado por um médico residente dentro do Hospital Cemil, em Umuarama, no norte do Paraná. Adelice de Oliveira, de 58 anos, estava em consulta de rotina na ala de ortopedia quando se tornou vítima de um episódio violento que chocou a comunidade médica e a população local.

Detalhes do incidente dentro do consultório

De acordo com o Tenente Coronel Carlos Peres, a situação ocorreu durante o terceiro atendimento que o residente Gabriel Damasceno de Camargo, de 27 anos, realizava junto com um professor ortopedista. Durante a consulta, o residente aproveitou que estava sentado atrás do médico e tentou atingi-lo com um disparo, mas errou o alvo.

"Nem o médico, nem a paciente que estava sendo atendida, perceberam ele sacando essa arma. O médico disse que só percebeu um estampido forte e viu que a paciente estava ao solo", informou Peres sobre o momento do disparo.

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Adelice contou que durante a consulta, não presenciou nenhuma discussão entre Gabriel e o médico. Ela relatou que se assustou quando, ao se levantar, se deparou com a arma apontada. "Não teve nada de anomal. [...] Não deu tempo nem pra respirar. Foi tudo muito rápido", descreveu a paciente sobre os momentos de pânico.

Fuga e prisão do médico residente

Após o disparo, o residente fugiu a pé do hospital. Durante a fuga, ele rendeu um motorista, fez outro disparo contra o chão e roubou um carro na tentativa de escapar. A Polícia Militar do Paraná conseguiu detê-lo pouco tempo depois, prendendo-o em flagrante.

Com o suspeito, a polícia apreendeu um revólver calibre 32 com seis munições, além de outras 17 intactas e duas já deflagradas. Segundo as investigações, Gabriel não possui porte de arma e o revólver não tem registro legal.

"O revólver calibre 32 é uma arma pequena, então é possível esconder no bolso, na cintura e no meio das vestes. Como ele estava com o jaleco, acaba ficando mais fácil. Nos hospitais não há nenhum tipo de controle, como detector de metais ou revista, e ele se aproveitou disso para entrar com essa arma", explicou o Coronel responsável pela investigação.

Condição da paciente e recuperação emocional

Adelice precisou ficar internada para observação médica, mas não sofreu ferimentos graves. Após receber alta, ela foi presenteada com flores da família e revelou que agora terá uma nova data de nascimento simbólica.

"Ainda estou bem chocada, abalada, mas estou bem. [...] Acho que o fato de poder respirar e ver que eu realmente estou viva, me abalou, mas graças a Deus, eu estou bem. Tenho que agradecer a Deus por mais essa vida que Ele me deu e comemorar mais uma data de nascimento, pois eu nasci de novo. Não era a minha hora", afirmou emocionada.

Investigações e consequências profissionais

A motivação do ataque ainda não foi completamente esclarecida e continua sendo investigada pela Polícia Civil do Paraná. Gabriel foi levado para a delegacia de Umuarama, onde o caso foi registrado como tentativa de homicídio e roubo. Ele passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva.

O Hospital Cemil emitiu nota oficial informando que o caso foi um "incidente isolado" e que repudia qualquer tipo de violência. A assessoria da unidade confirmou que Gabriel será desligado do programa de residência médica.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se manifestou, anunciando que vai instaurar uma sindicância para apurar a situação. Caso seja comprovada violação das regras éticas, o residente poderá ter seu registro profissional cassado.

Posicionamentos oficiais sobre o caso

O advogado Robson Meira, que atua na defesa de Gabriel, disse que ainda não teve acesso integral ao processo e que somente com análise técnica completa será possível um pronunciamento adequado. A defesa reafirmou seu compromisso com o devido processo legal e destacou que qualquer conclusão antecipada seria prematura.

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A área onde ocorreu o disparo foi isolada para perícia técnica, enquanto as autoridades continuam investigando todas as circunstâncias do crime hospitalar que colocou em risco a vida de pacientes e profissionais de saúde.