Operação policial de grande porte atinge núcleo político do Comando Vermelho em seis estados brasileiros
A Polícia Civil do Pará efetuou uma prisão significativa na manhã desta sexta-feira (20), no bairro Castanheira, em Belém, como parte integrante da ampla operação "Erga Omnes". A ação, coordenada inicialmente pela Polícia Civil do Amazonas, estende sua atuação para além desses dois estados, alcançando também Piauí, Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo, em um esforço conjunto de combate ao crime organizado.
Mulher presa em Belém responde por graves acusações criminais
A mulher detida durante a operação em território paraense enfrentará processos judiciais por seu suposto envolvimento com uma organização criminosa de grande porte. As acusações formais incluem associação para o tráfico de drogas e práticas sofisticadas de lavagem de dinheiro, indicando a complexidade do esquema investigado.
Durante a ação em Belém, os agentes policiais não apenas cumpriram o mandado de prisão, mas também executaram mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados. Entre os materiais apreendidos com a suspeita estão cartões de crédito e um aparelho celular, que serão submetidos a perícia técnica. Após a conclusão dos procedimentos legais iniciais, a detida foi colocada à disposição da Justiça para as próximas etapas processuais.
Núcleo político com acesso aos três poderes do Estado
As investigações que deram origem à operação revelaram um cenário alarmante: o Comando Vermelho teria estabelecido um "núcleo político" estruturado com capacidade de influência e suposto acesso a instâncias dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Este aparato criminoso, segundo as autoridades, era instrumentalizado principalmente para facilitar e expandir as atividades de tráfico de drogas em escala interestadual.
O delegado David Bahury, da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) do Pará, detalhou a rota do entorpecente: "Esse entorpecente vinha da região de Tabatinga, no Amazonas, que faz fronteira com países produtores como Peru e Colômbia, até o Pará". A cooperação entre as polícias civis do Pará e do Amazonas, com troca de informações de inteligência, foi fundamental para o sucesso e o alcance geográfico da operação.
Empresas fantasmas e mecanismos financeiros do tráfico
As investigações apontaram para a utilização de "empresas fantasmas" sediadas no estado do Pará como ferramentas para instrumentalizar o tráfico. Além disso, foi identificado que traficantes paraenses adquiriam as drogas da organização criminosa e realizavam depósitos em contas pessoais, um método que buscava dificultar o rastreamento financeiro pelas autoridades.
A operação "Erga Omnes" representa um dos maiores golpes recentes contra a infraestrutura política e logística de uma das maiores facções criminosas do país. A abrangência em seis estados diferentes demonstra a capacidade de atuação interestadual do grupo e a resposta coordenada das forças de segurança para enfrentá-lo. As investigações continuam em andamento, com expectativa de novas prisões e apreensões nos demais estados envolvidos.



