Operação da Polícia Civil de SP mira investigadores por corrupção e tráfico de influência
Operação da Polícia Civil mira investigadores por corrupção

Operação da Polícia Civil de São Paulo mira investigadores por corrupção e tráfico de influência

Nesta quinta-feira (12), a Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desencadearam uma operação para cumprir medidas cautelares contra dois investigadores de classe especial. As ações foram motivadas por evidências robustas que apontam o envolvimento dos agentes em um esquema de corrupção e tráfico de influência dentro da própria corporação policial.

Investigação sigilosa e baseada em dados de celulares apreendidos

A investigação, que tramita sob sigilo judicial, tem como base principal dados extraídos de celulares apreendidos durante a "Operação Face Off". As mensagens recuperadas revelaram diálogos comprometedores entre os investigadores Tania Aparecida Nastri e Carlos Huerta, discutindo pagamentos de propinas e interferências em apurações internas da Polícia Civil.

De acordo com as apurações, os policiais teriam utilizado suas funções para acessar informações privilegiadas nos sistemas da corporação e para assediar delegados responsáveis por investigações disciplinares. Entre os episódios citados estão negociações para custear viagens de luxo a Dubai e o pagamento de valores em dinheiro para garantir benefícios administrativos, como transferência de unidades e gestão de férias.

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Perfil dos investigados e locais das buscas

Atualmente, Tania Nastri trabalhava no Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil (DOPE), enquanto Carlos Huerta atuava como chefe no 13º Distrito Policial da Casa Verde. A operação incluiu buscas nas delegacias onde ambos os investigadores exerciam suas funções, visando coletar provas adicionais. A defesa dos acusados ainda não foi localizada para comentar o caso.

Decisões judiciais e medidas cautelares impostas

Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares rigorosas contra os investigadores. As decisões incluem:

  • Afastamento imediato de suas funções públicas na Polícia Civil.
  • Suspensão de atividades como sócios de empresas particulares.
  • Proibição de acesso a redes sociais e aplicativos de mensagens.
  • Busca e apreensão em endereços residenciais e profissionais para recolher provas, como celulares, computadores e documentos.

Esquema de propinas estimado em R$ 1,5 milhão

A decisão judicial se baseia em investigações detalhadas que apontam o envolvimento dos agentes em um esquema de recebimento de propinas estimado em R$ 1,5 milhão. O objetivo principal seria interromper a "Operação Alfaiate", que investigava o tráfico internacional de drogas. Segundo as apurações, os pagamentos teriam sido realizados por narcotraficantes ligados a uma organização criminosa, com intermediação de advogados.

Parte do valor, cerca de R$ 800 mil, teria sido depositada na conta de uma empresa de locação de veículos, enquanto outros R$ 700 mil teriam sido entregues em dinheiro vivo. Mensagens extraídas de celulares de outros investigados já presos indicam ainda que os policiais realizavam interferências indevidas em apurações da Corregedoria, acessavam dados sigilosos e negociavam vantagens pessoais, como presentes e passagens internacionais.

Posicionamento das autoridades e próximos passos

O caso também foi levado ao conhecimento da Secretaria de Segurança Pública (SSP) da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas até o momento não houve retorno oficial sobre as acusações. A operação representa um marco nas investigações internas da Polícia Civil de São Paulo, destacando os esforços para combater a corrupção dentro da própria instituição.

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As medidas cautelares impostas visam garantir a integridade das investigações e prevenir possíveis obstruções à Justiça. Os próximos passos incluem a análise detalhada das provas coletadas e a possível abertura de processos disciplinares e criminais contra os investigadores envolvidos.