OAB-RJ suspende advogado por 30 dias por 'jogo duplo' no caso Henry Borel
OAB suspende advogado por 'jogo duplo' no caso Henry Borel

Advogado é suspenso por atuação controversa no caso que chocou o Brasil

O Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) determinou a suspensão por 30 dias do advogado Flávio Augusto Campos Fernandes. A decisão unânime foi tomada nesta quinta-feira, 20 de março de 2026, após análise da conduta profissional do criminalista no emblemático caso Henry Borel.

O 'jogo duplo' que levou à penalidade

A suspensão decorre da atuação dupla de Fernandes no processo. Inicialmente, o advogado atuou como assistente de acusação do Ministério Público na investigação da morte do menino Henry Borel, ocorrida em 2021. Posteriormente, foi contratado pela família do ex-vereador Dr. Jairinho, acusado de assassinar a criança.

Embora formalmente a contratação tenha sido para defender Jairinho em outro processo, um áudio divulgado pela revista VEJA revelou que Fernandes também opinou sobre estratégias no caso Henry. No registro, o advogado afirma: "Eu é que comando isso aí, porque eu fui assistente de acusação. E objetivo era eu entrar porque era assistente de acusação".

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Violação de princípios éticos fundamentais

O Tribunal considerou que o criminalista agiu "de forma incompatível com os deveres de lealdade e probidade profissional". A decisão destacou que ele prestou "concurso a terceiros para a realização de ato contrário à ética e à boa-fé", violando assim preceitos fundamentais da advocacia.

No áudio, fica evidente que Fernandes discutiu pelo menos um ponto específico da estratégia de defesa: o pedido de suspeição da juíza Elizabeth Machado Louro, da 2.ª Vara Criminal do Rio, que continua conduzindo o caso até hoje.

Reações e contexto do processo

Quando questionado sobre o áudio, Fernandes confirmou que opinou sobre o processo, mas negou ter atuado diretamente no caso Henry. A reportagem solicitou manifestação atualizada do advogado, mas não obteve resposta imediata.

O julgamento de Jairinho e da mãe de Henry, a professora Monique Medeiros, está marcado para começar na próxima segunda-feira, 23 de março, no Tribunal do Júri do Rio. Eles respondem por homicídio duplamente qualificado no caso que completa cinco anos e continua mobilizando a atenção nacional.

Paralelamente, a babá do menino Henry tem seu paradeiro desconhecido às vésperas do julgamento, adicionando mais um elemento de tensão ao processo que já acumula anos de investigações e revelações chocantes.

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