Novo depoimento traz detalhes sobre morte de policial em apartamento no centro de São Paulo
A investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, ocorrida em fevereiro no centro de São Paulo, ganhou novos elementos com o depoimento de uma funcionária do prédio onde a vítima residia. A inspetora de condomínio Fabiana Pereira prestou esclarecimentos à Polícia Civil, descrevendo a cena que encontrou após o disparo que atingiu a policial dentro do apartamento que ela dividia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto.
Cena de agitação e afirmações do oficial no corredor
Segundo o relato da testemunha, ela chegou ao andar após perceber a movimentação de equipes de resgate no edifício. No corredor, encontrou o oficial visivelmente agitado, caminhando de um lado para o outro. Naquele momento, o coronel afirmou que a esposa havia disparado contra si mesma. Ao olhar para dentro do apartamento, a funcionária disse ter visto a policial caída no chão, com grande quantidade de sangue, enquanto socorristas tentavam reanimá-la.
A inspetora contou ainda que ouviu uma policial informar ao oficial que a vítima ainda apresentava sinais de vida. A reação dele, conforme o depoimento, foi afirmar que, “com o tiro que ela levou, não sobreviveria”. Enquanto aguardava no corredor, Fabiana disse ter presenciado o coronel falando ao telefone com uma pessoa a quem se referia como “excelência”.
Ligação telefônica e versão dos fatos apresentada
A ligação teria sido feita para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, amigo do oficial. Durante a conversa, conforme relatado no depoimento, o coronel repetia que estava no banho quando ouviu um barulho e, ao sair do banheiro, encontrou a esposa ferida. O caso aconteceu na manhã de 18 de fevereiro, com a ocorrência sendo comunicada à Polícia Militar pouco antes das 8h, após a informação de que uma policial havia sido atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça.
Uma vizinha que mora no mesmo andar afirmou aos investigadores que foi acordada por volta das 7h30 com o som de um tiro. Gisele Alves Santana foi socorrida e levada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas, mas morreu horas depois, no início da tarde. No momento do disparo, o único adulto que estava no apartamento era o marido da vítima.
Investigação em andamento e mudança de classificação do caso
O caso foi inicialmente tratado como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita pela Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias do disparo. Policiais militares que atenderam à ocorrência afirmaram que, quando chegaram ao local, uma Unidade de Suporte Avançado realizava manobras de reanimação cardiopulmonar na soldado.
As autoridades continuam apurando os fatos, com o depoimento da funcionária do prédio acrescentando detalhes cruciais sobre o comportamento do oficial e as condições encontradas no local. A investigação segue para determinar as causas exatas da morte e verificar a consistência das versões apresentadas.



