Operação Erga Omnes desmantela núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas
A Polícia Civil do Amazonas realizou na sexta-feira (20) a operação Erga Omnes, que resultou na prisão de 14 suspeitos integrantes do chamado núcleo político ligado ao Comando Vermelho. Entre os detidos estão uma ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça do estado, acusados de usar influência em órgãos públicos para obter informações sigilosas e facilitar ações da organização criminosa.
Esquema milionário e troca de mensagens comprometedoras
As investigações revelaram que o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano. O esquema atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados, facilitando a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Essas empresas eram utilizadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus, de onde os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação.
Prints de conversas obtidos pela polícia no celular de Lucila Meireles Costa, de 42 anos, presa no Centro de Teresina, no Piauí, mostram como os suspeitos trocavam informações sobre pagamentos e decisões judiciais. Em um dos trechos, Lucila envia um comprovante de pagamento via Pix para Izaldir Moreno Barros, servidor do tribunal, e afirma que a missão dele era verificar se tem algo no sistema e se já foi expedido o mandado de prisão. Ela também orienta que a situação fosse monitorada até o fim do mês.
Quem são os principais alvos da operação
Dos 14 mandados de prisão cumpridos, oito foram no Amazonas. Confira os principais detidos no estado:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, acusado de receber pagamentos para fornecer informações sigilosas de processos em segredo de Justiça;
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas, com transações milionárias ligadas ao esquema;
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida, suspeita de movimentar R$ 1,5 milhão em favor da facção;
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por participação no esquema financeiro;
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar, apontado como parte da rede de influência;
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de envolvimento;
- Bruno Renato Gatinho Araújo – incluído na lista de investigados;
- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara por suposta participação.
Lucila Costa Meireles, presa fora do Amazonas, é apontada como integrante do núcleo político e atuava como lobista do grupo, apresentando-se como advogada sem registro na OAB. Allan Kleber Bezerra Lima, considerado líder do núcleo, e outros oito investigados são considerados foragidos.
Reações das instituições envolvidas
O Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado e reafirmou compromisso com a legalidade e transparência. A Universidade do Estado do Amazonas declarou que não se responsabiliza por atos de servidores fora do âmbito institucional, enquanto a Polícia Militar do Amazonas afirmou que o cabo preso responderá a procedimentos na Justiça e administrativos na corporação.
A Prefeitura de Manaus esclareceu que não é alvo da operação e que nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município fazem parte da investigação. A Câmara Municipal de Manaus orientou que os questionamentos sejam direcionados aos gabinetes dos vereadores onde os investigados trabalharam.
A defesa de Anabela Cardoso Freitas informou que ela não possui relação com organizações criminosas e é servidora pública concursada reconhecida pela idoneidade. Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.



