MPRJ desmantela esquema de bingos clandestinos ligado a Rogério Andrade no Rio
MPRJ desmantela bingos clandestinos de Rogério Andrade no Rio

Operação do MPRJ desvenda rede de bingos ilegais com bônus milionários

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou uma operação nesta quarta-feira (11) contra bingos clandestinos vinculados ao bicheiro Rogério Andrade e seu filho, Gustavo Andrade. As investigações apontam que o estabelecimento localizado no Recreio dos Bandeirantes funcionava como um verdadeiro entreposto do esquema criminoso, oferecendo bônus que variavam de R$ 100 a impressionantes R$ 5 mil para incentivar os clientes a continuarem apostando.

Mensagens revelam mecanismo de incentivo às apostas

Conversas interceptadas no celular de Jefferson Monteiro da Silva, alvo da Operação Calígula, detalham como os valores eram liberados para manter o fluxo de apostas. Em uma das mensagens, Jefferson comunica a Francesco Novello, filho da administradora do bingo: "Batata mandou dar 5k (R$ 5 mil) para ele de bônus", referindo-se a um cliente que havia perdido mais de R$ 30 mil. Outras ordens encontradas incluíam bônus de R$ 100, R$ 200, R$ 500 e R$ 1 mil durante o expediente no local.

O bingo Espaço Classe A Recreio era administrado por Ana Paula Alexandre Novello e seu filho Francesco Novello Neto, naturais de Juiz de Fora. Segundo o MPRJ, Ana Paula cumpria e repassava ordens diretas de Rogério e Gustavo Andrade aos subordinados Thiago Perdomo Magalhães, apelidado de "Batata" (gerente), e Marconi da Silva Borba (supervisor). Além deles, também foram denunciados Rui Orlando Monteiro e Roberto Nogueira Figueiredo.

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Conexão com depoimento explosivo de Ronnie Lessa

A operação ocorreu um dia após a divulgação do depoimento do ex-policial militar Ronnie Lessa, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. Lessa revelou detalhes de um esquema de exploração de jogos ilegais e corrupção policial na Zona Oeste do Rio, confessando ter tido sociedade em negócios ilícitos com Rogério Andrade.

Em depoimento prestado por videoconferência em 26 de janeiro de 2024, Lessa descreveu como abriu um bingo clandestino na Barra da Tijuca em 2018, após negociar com Rogério Andrade, que controlava a região. O ex-PM afirmou que procurou o delegado Marcos Cipriano para intermediar contato com a então delegada titular da Barra da Tijuca, Adriana Belém, obtendo suposto aval para a operação do bingo.

Segundo Lessa, mesmo após combinar pagamento de propina com um policial militar, o local foi interditado no dia da inauguração em julho de 2018, com apreensão de 78 máquinas de apostas. Dias depois, a quadrilha conseguiu recuperar as máquinas após novo acerto de corrupção separado do acordo inicial.

Áudio revela procedimento interno dos bônus

Em áudio obtido pela investigação, um dos envolvidos explica o rigoroso procedimento para pagamento dos bônus: "Vocês vão controlar os bônus. Os bônus só saem das mãos de vocês, tá? Com assinatura do cliente, vai lá e entrega na mão do cliente. O cliente só vai poder receber bônus depois de 40 minutos que eles estiverem jogando, tá? Isso é uma responsabilidade muito grande, tá, irmão?"

Respostas das defesas e situação processual

A Polícia Civil informou que há processos administrativos disciplinares em andamento contra os três policiais citados por Lessa, todos afastados das funções operacionais. Dois estão aposentados e um cedido a outro órgão, podendo ser demitidos ao fim das investigações.

A defesa da delegada Adriana Belém repudiou veementemente as acusações, afirmando que a reunião com Lessa tratava de um roubo de relógio e ocorreu quase um mês após o fechamento do bingo, o que comprometeria a credibilidade do relato. A defesa de Marcos Cipriano alegou que Lessa mente em sua colaboração premiada, enquanto a defesa de Jorge Camillo preferiu não se manifestar publicamente, reservando esclarecimentos para o âmbito judicial.

Ronnie Lessa, que admitiu ter efetuado os disparos que mataram Marielle Franco e Anderson Gomes, firmou acordo de delação premiada e cumprirá pena em regime fechado até 2037. As investigações do MPRJ continuam aprofundando os vínculos entre o esquema de bingos clandestinos, a corrupção policial e os crimes de maior repercussão no estado.

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