Casos de menores infratores crescem 22% nas regiões de Campinas e Piracicaba
Menores infratores: alta de 22% em Campinas e Piracicaba

Casos de menores infratores crescem 22% nas regiões de Campinas e Piracicaba

O número de menores de idade envolvidos em atos infracionais nas regiões de Campinas (SP) e Piracicaba (SP) apresentou uma alta significativa de 22,4% entre 2024 e 2025. Os dados, coletados pelos departamentos da Polícia Civil Deinter-2 e Deinter-9, revelam que os casos saltaram de 1.465 para 1.794 no período. Esse aumento alarmante destaca um cenário preocupante de criminalidade juvenil, com implicações sociais e de segurança pública.

Análise dos dados e perfil dos infratores

Os números detalhados mostram que, embora os meninos continuem sendo a maioria entre os menores infratores, representando 81,6% dos casos, o crescimento percentual foi mais expressivo entre as meninas. Enquanto os meninos tiveram um aumento de 20,82%, passando de 1.369 para 1.654 casos, as meninas registraram uma alta de 44,7%, com os casos subindo de 96 para 139. Em um caso isolado de 2025, o gênero do menor infrator não foi identificado, mas isso não altera a tendência geral.

Segundo a socióloga Camila Massaro, pesquisadora do Observatório da PUC-Campinas, esse fenômeno está ligado a uma combinação de fatores sociais, econômicos e culturais. "Tem uma gama de fatores que são sociais, econômicos, culturais e também pessoais que acabam levando esses adolescentes a cometerem esses tipos de atos infracionais", explica ela. A especialista enfatiza que a vulnerabilidade socioeconômica, a falta de políticas públicas eficazes e a influência de uma sociedade pautada pelo consumo contribuem para o envolvimento desses jovens em atividades criminosas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Fatores que impulsionam a criminalidade juvenil

Um dos principais elementos apontados pelos especialistas é o aliciamento ao tráfico de drogas. Paulo Bueno, capitão da Polícia Militar, destaca que o crime organizado busca ativamente menores em situação de vulnerabilidade social, muitas vezes desassistidos pela família, para atuarem em funções de baixo escalão. "O crime organizado vai observar o adolescente ou a criança como alvo das suas ações para que ele possa se escudar nessa barreira", afirma Bueno. Camila Massaro complementa que o tráfico exerce um forte poder de sedução, oferecendo a promessa de dinheiro rápido, status e reconhecimento, elementos que são particularmente atraentes para jovens em fase de formação de identidade.

Além disso, as redes sociais desempenham um papel crucial na glamorização da vida no crime. Massaro explica que nichos específicos nas plataformas digitais funcionam como "bolhas" que compartilham apenas as glórias e o status associados à criminalidade, sem mostrar as consequências negativas. "Isso corrobora para essa ideia de parecer ser um mundo atrativo em termos de uma remuneração rápida e bem maior do que aquela que o mundo do trabalho oferece", diz a socióloga. Essa exposição, combinada com a busca por pertencimento, torna o crime uma opção tentadora para muitos adolescentes.

Consequências e necessidade de políticas públicas

As consequências do envolvimento precoce no crime são graves. Camila Massaro alerta que um adolescente que ingressa no "mundo do crime" tem uma expectativa de vida de menos de 30 anos, devido aos riscos associados à violência e às drogas. Um relato anônimo de um jovem que passou pela Fundação Casa ilustra essa realidade: após ser aliciado para o tráfico e se envolver com crack, ele encontrou uma chance de ressocialização através do Instituto Padre Haroldo em Campinas, onde realizou tratamento e conseguiu reconstruir sua vida.

Para enfrentar esse problema, os especialistas defendem o fortalecimento de políticas públicas voltadas para os adolescentes. Massaro argumenta que é essencial melhorar o acesso à educação, ao mercado de trabalho, à cultura e ao lazer. "A própria educação escolar, que a gente vê que no caso dos adolescentes nas escolas públicas, tem uma evasão muito grande, porque cada vez menos a escola se conecta com uma formação que proporcione outro tipo de saída", afirma. Paulo Bueno também ressalta a importância de programas como o Proerd (Programa de Prevenção às Drogas) e de iniciativas de organizações não governamentais que oferecem suporte e desenvolvimento para crianças e adolescentes em situação de risco.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Em resumo, o aumento de 22,4% nos casos de menores infratores nas regiões de Campinas e Piracicaba reflete uma crise multifacetada que exige ações integradas do poder público e da sociedade. Combater o aliciamento ao tráfico, mitigar a influência negativa das redes sociais e implementar políticas de inclusão social são passos fundamentais para reverter essa tendência e oferecer alternativas reais para os jovens.