Médico dono do CRM usado por falso médico morre em Santos; caso envolve fraude e indenizações
Médico dono de CRM usado por falso médico morre em Santos

Médico proprietário do CRM usado em fraude médica falece em Santos

Enrico Di Vaio, o verdadeiro dono do Conselho Regional de Medicina (CRM) utilizado pelo empresário Wellington Augusto Mazini Silva para se passar por médico em um hospital de Cananéia, no litoral de São Paulo, morreu em Santos. O caso, que já vinha causando repercussão, ganha um novo capítulo com o falecimento do profissional, que era sócio de Mazini em uma clínica na capital paulista.

Fraude descoberta por erro anatômico leva à prisão

A fraude foi descoberta de maneira inusitada quando Mazini, atuando ilegalmente, afirmou ter visualizado a vesícula biliar de uma paciente que, na realidade, não possuía o órgão. Este equívoco levantou suspeitas e culminou na prisão do empresário em 7 de janeiro. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou um pedido de soltura, considerando que sua liberdade representava um risco à sociedade.

Mazini, que foi denunciado pelo Ministério Público por crimes como estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e perigo para a vida – com penas que podem chegar a 13 anos de reclusão –, alegou em sua defesa que agiu a mando do médico Enrico Di Vaio e que receberia R$ 1,5 mil pelo serviço realizado. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) mantém um processo de apuração sobre o ocorrido.

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Morte de Enrico Di Vaio extingue punibilidade no inquérito

Enrico Di Vaio foi velado e enterrado na sexta-feira, 20 de janeiro, mas a causa de sua morte ainda não foi oficialmente confirmada. Com o seu falecimento, a punibilidade será extinta no inquérito policial, o que significa que o Estado perde o direito de processá-lo criminalmente. A Delegacia de Cananéia havia solicitado à Delegacia de Santos que ouvisse o médico, e ainda há a possibilidade de que ele tenha prestado depoimento antes de morrer, embora a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) não tenha se manifestado sobre o andamento até o fechamento desta reportagem.

Vítimas processam por danos morais após exames ilegais

Cinco mulheres que foram atendidas por Wellington Mazini entraram na Justiça com uma ação cível, solicitando indenizações no valor total de R$ 250 mil – R$ 50 mil para cada uma – por danos morais. Elas foram submetidas a exames de ultrassom transvaginal realizados pelo suposto profissional, em uma situação descrita pelo advogado das vítimas como de "extrema exposição e vulnerabilidade".

Na petição judicial, destaca-se que a intimidade das pacientes foi indevidamente violada, gerando "intenso constrangimento e sofrimento psíquico". A ação foi protocolada de forma solidária, permitindo que qualquer um dos réus – incluindo Mazini, a empresa gestora do hospital e o município – possa ser responsabilizado pelo pagamento integral, com direito a regresso posterior. O advogado de defesa de Mazini, Celino Barbosa Netto, afirmou que seu cliente ainda não foi citado oficialmente nas ações cíveis e que a defesa aguarda o desenrolar do processo penal.

Histórico de acusações similares contra o empresário

Investigções do g1 revelaram que Wellington Mazini já havia sido alvo de denúncias por crimes semelhantes quatro meses antes, em Santo Amaro, na Grande São Paulo. Em setembro de 2025, um empresário o acusou, juntamente com familiares, de associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e apropriação indébita. Naquela ocasião, Mazini teria se passado pelo mesmo médico cujo CRM foi usado em Cananéia, realizando ao menos dez atendimentos que incluíam ultrassonografias de próstata, vias urinárias e abdômen total.

O documento da denúncia anterior alertava que a conduta do empresário colocou em risco a saúde de diversos pacientes, submetidos a procedimentos por um profissional não habilitado. O Ministério Público e a Polícia Civil foram acionados na época, mas não há informações atualizadas sobre o andamento dessas investigações.

Com a morte de Enrico Di Vaio, o caso do falso médico em Cananéia segue em aberto, envolvendo questões de justiça, responsabilidade profissional e reparação às vítimas, enquanto as autoridades continuam a apurar os detalhes desta trama que chocou a região.

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