Médico envolvido em laudo falso contra Boulos é preso em operação do Gaeco
O médico e empresário Luiz Teixeira da Silva Junior, citado pelo Ministério Público de São Paulo como responsável por fraudar laudo médico sobre internação por uso de cocaína contra o então candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL), teve prisão temporária decretada nesta terça-feira, 31 de março de 2026. A medida faz parte de operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que investiga formação de grupo criminoso para fraudar inventário do fundador do grupo Unip/Objetivo, João Carlos Di Genio, no valor de 845 milhões de reais.
Esquema milionário e falsificação documental
Segundo as investigações, o grupo criminoso atuava de forma estruturada utilizando falsidade documental, fraude processual, corrupção e simulação de procedimentos arbitrais para dar aparência de legalidade a cobranças milionárias indevidas. O falso laudo contra Boulos foi divulgado pelo adversário Pablo Marçal (PRTB, à época) na reta final do primeiro turno das eleições municipais de 2024.
A falsidade do documento foi tecnicamente atestada tanto pela Superintendência da Polícia Técnico-Científica do Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo quanto pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, conferindo elevado grau de credibilidade à imputação. Marçal, que posteriormente afirmou não saber que se tratava de documento falso, foi condenado pela Justiça paulista a pagar indenização por dano moral de 100 mil reais ao hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Nove prisões decretadas e histórico criminal
Além de Luiz Teixeira, outras oito pessoas tiveram prisão temporária decretada pelo juiz Paulo Fernando Deroma de Mello em decisão do dia 23 de março:
- Anani Candido de Lara
- Wagner Rossi Silva
- Patricia Alejandra Ormart Barreto
- Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira
- Camilla Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat
- Carlos Xavier Lopes
- Rubens Maurício Bolorino
- Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura
O magistrado justificou a medida citando que "a liberdade dos investigados representa risco concreto à eficácia das diligências em curso, notadamente quanto à ocultação, destruição ou adulteração de documentos e à influência indevida sobre terceiros". A prisão temporária tem duração máxima de cinco dias e visa garantir o prosseguimento das investigações para desmantelar completamente o grupo criminoso.
Outros crimes e atuação do MP
Além da fraude do inventário milionário, Luiz Teixeira responde criminalmente em outro processo por falsificação de assinaturas de representantes da empresa Planova Planejamento e Construções Ltda, com a finalidade de viabilizar a venda de lotes a terceiros sem o conhecimento ou anuência da própria empresa. As autoridades públicas cumpriram nove mandados de prisão nesta terça-feira, diante de investigação que apontou para uma atuação organizada de indivíduos com longo histórico criminal.
O Ministério Público sustenta que o grupo investigado tentou obter vantagem ilícita de 845 milhões de reais por meio da criação de contratos falsos, posteriormente utilizados para embasar demandas judiciais e procedimentos arbitrais simulados, com o intuito de induzir vítimas e o próprio Poder Judiciário a erro. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas dos acusados.



