Médico é denunciado por atropelar oito pessoas e tentar matar o irmão no RS
O médico Paulo Adriano Pustay foi formalmente denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) por duas tentativas de homicídio doloso, sendo uma delas direcionada contra seu próprio irmão. Os crimes ocorreram em Presidente Lucena, município localizado a aproximadamente 65 quilômetros de Porto Alegre, no dia 3 de março.
Série de atropelamentos em intervalo de uma hora
Segundo as investigações, o homem é suspeito de ter atropelado oito pessoas em um curto intervalo de uma hora. Momentos antes dos incidentes em Presidente Lucena, ele já havia se envolvido em cinco atropelamentos em Novo Hamburgo, resultando em sete feridos. Paulo Adriano Pustay encontra-se preso preventivamente desde a data dos crimes.
A denúncia foi encaminhada ao Poder Judiciário no dia 17 de março, mas somente divulgada nesta quinta-feira, 26 de março. Caso seja aceita pela Justiça, o médico se tornará réu nos processos. A Promotoria de Ivoti destacou que o crime apresenta agravante pelo parentesco, já que uma das vítimas é seu irmão.
Agravantes e consequências profissionais
Em caso de condenação, também pode ocorrer aumento de pena pelo fato de algumas vítimas serem idosas. O MPRS solicitou providências administrativas junto ao Conselho Regional de Medicina, o que pode resultar na suspensão do registro profissional do médico do trabalho.
Além disso, foi requerida a instauração de incidente de insanidade mental, pois a investigação da Polícia Civil apontou que os crimes foram cometidos durante um surto psicótico. O homem também foi indiciado por cinco atropelamentos em Novo Hamburgo nesta terça-feira, 24 de março, embora o Ministério Público ainda não tenha oferecido denúncia específica sobre esses fatos.
Versão do acusado e contradições nas investigações
Em depoimento à polícia, Paulo Adriano Pustay negou ter a intenção de matar o irmão e afirmou que um dos atropelamentos ocorreu quando desviou de um cachorro. Segundo o delegado Fabio Mota Lopes, o homem alegou ter ido até a casa do familiar em Presidente Lucena simplesmente para "tomar um mate".
Contudo, mesmo com essa versão, ele foi indiciado por tentativa de homicídio. A Polícia Civil revelou que, durante o interrogatório, o médico admitiu ter ido até a propriedade do irmão, Odalci, durante a madrugada. Ele confirmou ter colidido o carro contra o portão e a varanda, e que utilizou uma tábua para arrombar a porta após o irmão não atender.
Para as autoridades policiais, Odalci foi alvo de tentativa de homicídio e só escapou por ter pulado uma janela. Sobre outro atropelamento, envolvendo um homem de 73 anos, o médico alegou à polícia ter sido um acidente, afirmando que a vítima estava "no meio da estrada" e que a atingiu ao desviar de um cachorro.
Análise das imagens contradiz versão do acusado
O depoimento de Pustay refere-se especificamente aos crimes investigados em Presidente Lucena. O delegado Alexandre Quintão, responsável pelo caso em Novo Hamburgo, não forneceu detalhes sobre o depoimento relacionado a esses incidentes, mas destacou que a análise de imagens de segurança mostra claramente que o motorista alterava a trajetória do veículo para atingir os pedestres intencionalmente.
A polícia apurou que uma das vítimas sofreu fraturas graves, incluindo costelas, vértebras e a clavícula, evidenciando a violência dos atropelamentos. As investigações continuam em andamento para apurar todos os detalhes deste caso que chocou o Rio Grande do Sul.



