Médico ortopedista é condenado a seis anos de prisão por corrupção no SUS
O médico ortopedista Adilson Cleto Bier, que atuava na cidade de Toledo, localizada na região oeste do Paraná, recebeu uma sentença de seis anos de prisão por praticar corrupção passiva contra pacientes do Sistema Único de Saúde. De acordo com a decisão da Justiça Estadual do Paraná, o profissional exigiu valores que variavam entre R$ 2,8 mil e R$ 6,5 mil de seis pacientes diferentes para garantir a antecipação de cirurgias que deveriam ser realizadas gratuitamente pelo sistema público de saúde.
Operação irregular ocorreu entre 2014 e 2015
As investigações judiciais apontaram que as cobranças ilegais aconteceram durante um período específico, compreendido entre novembro de 2014 e maio de 2015. Embora os procedimentos cirúrgicos fossem oficialmente realizados através do SUS, o médico estabelecia um esquema paralelo onde cobrava valores adicionais diretamente dos pacientes, prometendo acelerar o acesso aos tratamentos necessários.
Além da pena principal de prisão, a sentença determinou medidas complementares significativas. O médico terá que pagar 27 dias-multa, equivalentes a 27 salários mínimos vigentes na época dos crimes, com os devidos reajustes monetários aplicados. Outra consequência grave foi o cancelamento permanente do seu credenciamento para atender pacientes através do Sistema Único de Saúde, impedindo-o de continuar trabalhando na rede pública.
Defesa anuncia recurso e contesta decisão judicial
O advogado Sérgio Canan, responsável pela defesa do médico Adilson Cleto Bier, já se manifestou publicamente sobre o caso. Ele classificou a sentença como injusta e confirmou que irá recorrer da decisão em instâncias superiores da Justiça. Enquanto o processo de recurso tramita, o médico permanecerá em liberdade, conforme determina a legislação brasileira.
Este não é um caso isolado na região de Toledo. Em fevereiro deste ano, outro médico ortopedista foi condenado a uma pena ainda mais severa de dez anos de prisão por crimes similares envolvendo cobranças indevidas a pacientes do SUS. Os dois episódios revelam um padrão preocupante de desvio de conduta médica no sistema público de saúde local.
Vítima pagou R$ 6,5 mil para evitar espera de um ano e meio
Um dos depoimentos mais impactantes no processo judicial veio de uma paciente que relatou ter desembolsado R$ 6,5 mil em dinheiro vivo, entregue diretamente no dia da cirurgia. Segundo seu testemunho, o médico justificou o pagamento como uma espécie de parceria que permitiria realizar o procedimento sem precisar aguardar na fila regular do sistema público.
A mulher explicou que enfrentava dores intensas no joelho e não possuía plano de saúde privado nem condições financeiras para arcar com tratamento particular. Diante da perspectiva de esperar aproximadamente dezoito meses pela cirurgia através dos canais normais do SUS, ela acabou aceitando a proposta irregular do médico, mesmo reconhecendo o caráter ilegal da transação.
Condenação cível impõe multas superiores a R$ 160 mil
Além da ação penal, o médico também enfrentou consequências na esfera cível por improbidade administrativa. Em agosto de 2025, a Justiça determinou que ele devolvesse aos pacientes a quantia total de R$ 53.786,82, referente aos valores cobrados indevidamente. Paralelamente, foi condenado ao pagamento de uma multa civil no valor de R$ 107.573,64, somando mais de R$ 160 mil em obrigações financeiras.
As penalidades administrativas foram igualmente rigorosas. Adilson Cleto Bier foi afastado definitivamente de qualquer função pública, teve seus direitos políticos suspensos por um período de oito anos e está proibido de celebrar contratos com órgãos governamentais pelos próximos seis anos. Esta condenação cível se soma a um processo anterior onde ele já havia sido sentenciado por corrupção passiva.
Operação policial resultou em prisão em flagrante em 2015
As investigações que culminaram nas condenações atuais tiveram um marco importante em 2015, quando o médico foi alvo de uma operação conjunta entre o Ministério Público do Paraná e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. Durante a ação policial, ele foi preso em flagrante delito ao receber R$ 4,6 mil de uma paciente em seu consultório particular.
De acordo com as autoridades, a vítima havia sido orientada a levar o dinheiro até o local de trabalho do médico. Toda a entrega do envelope com o valor foi monitorada pelas equipes de investigação, resultando na apreensão imediata da quantia e no recolhimento de diversos objetos do consultório para análise forense. Após a prisão inicial, o médico foi liberado no decorrer do processo e respondeu ao inquérito em liberdade até a conclusão do julgamento.



