MC Ryan SP segue preso na PF e aguarda audiência em São Paulo após megaoperação
MC Ryan preso na PF aguarda audiência em SP após operação

MC Ryan SP aguarda audiência enquanto permanece preso na Polícia Federal em São Paulo

O cantor funkeiro MC Ryan SP continua preso há três dias na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, conforme confirmado pela defesa do artista neste sábado (18). O advogado Felipe Cassimiro, que representa o músico, afirmou ao g1 que, por se tratar de prisão temporária, o ideal é que seu cliente permaneça na sede da PF paulista.

Operação Narco Fluxo prende mais de 30 pessoas em vários estados

O artista e mais de 30 indivíduos – a maioria funkeiros, influenciadores digitais e empresários famosos ligados à música – foram detidos temporariamente na última quarta-feira (15) durante a Operação Narco Fluxo da Polícia Federal, realizada em diversos estados brasileiros. A investigação aponta que os alvos presos são investigados por suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas para o Primeiro Comando da Capital (PCC), com uma movimentação financeira identificada de R$ 1,6 bilhão. A defesa de MC Ryan nega veementemente essas acusações.

Na quinta-feira (16), a Justiça manteve as prisões de MC Ryan e dos outros detidos na operação. Dos 39 mandados de prisão decretados, 33 foram cumpridos, enquanto seis suspeitos permanecem foragidos, com as autoridades realizando buscas para localizá-los.

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Distribuição dos presos e transferências autorizadas

Os 33 indivíduos presos estão distribuídos da seguinte forma:

  • 27 detidos no estado de São Paulo, levados para a sede da Polícia Federal na capital paulista
  • 1 alvo que já se encontrava preso antes da operação
  • 3 presos no Rio de Janeiro
  • 1 preso em Santa Catarina
  • 1 preso em Goiás

Na sexta-feira (17), Raphael Souza Oliveira, criador da página Choquei – um dos detidos na operação – foi transferido da sede da PF em Goiânia para o Complexo Prisional Policial Penal em Aparecida de Goiânia, após autorização judicial. O advogado Felipe Cassimiro comentou que essas transferências provavelmente ocorreram devido à superlotação das carceragens da PF.

Principais alvos da megaoperação e suas conexões

Entre os presos em São Paulo estão o funkeiro MC Ryan SP, o influenciador Chrys Dias e sua esposa, Débora Paixão. No Rio de Janeiro, está detido o também funkeiro MC Poze do Rodo, enquanto em Goiás permanece preso Raphael Souza, responsável pela página Choquei, uma das maiores páginas de entretenimento do país nas redes sociais.

MC Ryan SP, um dos artistas mais ouvidos do Brasil nos últimos anos, foi preso na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, litoral paulista. O funkeiro já se envolveu em diversas polêmicas anteriores, incluindo episódios de agressão, danos ao patrimônio público e ostentação de carros de luxo. Durante a operação, a PF apreendeu veículos de alto padrão, armas, joias e objetos de valor ligados ao artista, incluindo um colar com a imagem de Pablo Escobar.

O influenciador Chrys Dias, com mais de 14 milhões de seguidores, é apontado pela PF como integrante do grupo investigado. Ele foi detido em Itupeva, interior paulista, enquanto sua esposa, Débora Vitoria Paixão Ramos, conseguiu na Justiça a possibilidade de cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Esquema de lavagem de dinheiro e apreensões milionárias

Segundo a Polícia Federal, os investigados integram uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, que teria utilizado funkeiros, influenciadores e empresários da música com grande visibilidade para ocultar recursos do tráfico de drogas e beneficiar facções criminosas como o PCC. A investigação aponta que o grupo utilizava venda de ingressos de shows, bilheteria de apresentações, rifas digitais, apostas ilegais e estelionato digital para "limpar" o dinheiro do crime, com parte dos valores sendo convertida em criptomoedas para dificultar o rastreamento.

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De acordo com decisão judicial, MC Ryan SP é apontado como líder e principal beneficiário do esquema, utilizando empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com dinheiro de origem ilícita. A polícia afirma que o grupo também transferia participações societárias para familiares e laranjas, reinvestindo os valores em imóveis de luxo, veículos, joias e outros ativos de alto valor.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu:

  • 53 celulares
  • 56 mídias eletrônicas (computadores, tablets e notebooks)
  • 56 itens de joias e relógios
  • 120 armas e munições
  • 55 carros de luxo e motocicletas
  • R$ 300 mil em dinheiro em espécie
  • US$ 7,3 mil em espécie (aproximadamente R$ 36 mil)
  • Documentos e registros financeiros diversos

Segundo a PF, apenas os veículos apreendidos estão avaliados em mais de R$ 20 milhões. A Justiça também autorizou a quebra de sigilo de aparelhos eletrônicos, o que deve aprofundar as investigações.

Posicionamento das defesas dos investigados

O advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, que defende MC Ryan SP, afirmou que não teve acesso aos autos do processo e que isso o impede de comentar os detalhes do caso. Ele declarou que o cantor é uma pessoa íntegra e que os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, tendo entrado na Justiça com um pedido de liberdade para seu cliente contra a decretação da prisão temporária por 30 dias.

Já o advogado de MC Poze do Rodo, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que irá se manifestar na Justiça para tentar restabelecer a liberdade do cantor. As defesas de Chrys Dias, Débora Paixão, Raphael Sousa e dos demais investigados não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem.