MC Elder é indiciado por apologia ao crime após vídeo com réplicas de fuzis em Santos
MC indiciado por apologia ao crime após vídeo com fuzis em Santos

MC Elder é indiciado por apologia ao crime após vídeo com réplicas de fuzis em Santos

Elder Estevão da Silva, conhecido artisticamente como MC Elder, foi formalmente indiciado pela prática de apologia ao crime na cidade de Santos, localizada no litoral do estado de São Paulo. O caso ganhou repercussão após a divulgação de vídeos nas redes sociais onde o artista, de 34 anos, aparece manipulando réplicas de fuzis enquanto simula disparos para o alto e entoa letras de funk.

Conteúdo do vídeo e defesa do artista

Em entrevista concedida à equipe de reportagem, o cantor de funk explicou que as armas utilizadas nas gravações eram, na verdade, réplicas de brinquedo, destinadas originalmente à produção de um clipe musical. "Acabei postando o que não era para ter postado. Mas, deixando bem claro que eu trabalho. Não tenho envolvimento nenhum com armas, drogas ou crime", afirmou MC Elder, buscando se distanciar de qualquer associação com atividades ilícitas.

No entanto, as investigações conduzidas pela Polícia Civil apresentam uma perspectiva diferente. De acordo com os agentes da 3ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, o conteúdo publicado pelo MC não se limitava a uma encenação artística inocente.

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Ação policial e fundamentos do indiciamento

Os policiais civis localizaram e abordaram o cantor durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na última sexta-feira, dia 20. A corporação sustenta que MC Elder, por meio de suas publicações, estaria incentivando ativamente o uso de fuzis e outras armas em ambientes de festa, como bailes funk. Um exemplo citado é um evento registrado no Morro do São Bento durante o período do Carnaval.

As letras das músicas, segundo a polícia, também foram consideradas elementos agravantes. Nelas, o MC Elder supostamente enaltece a criminalidade e ridiculariza as tentativas das forças de segurança em localizá-lo. Trechos como "Olha o patrão passando com o fuzil na bandoleira, para lá e para cá no baile [...] Eu quero ver quem não respeita", cantados em um dos vídeos, foram destacados pelas autoridades como exemplos de apologia à violência armada.

Desfecho do caso e posicionamento do indiciado

Após ser localizado, MC Elder foi conduzido até a delegacia para prestar esclarecimentos. No local, conforme relato policial, o artista se desculpou pela publicação do vídeo e explicou que não tinha a intenção de incentivar crimes ou afrontar as instituições policiais. Ele foi formalmente indiciado pelo crime de apologia ao crime, ouvido em depoimento e, posteriormente, liberado. O caso segue sob análise das autoridades competentes, que avaliam os próximos passos processuais.

O episódio reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão no âmbito artístico, especialmente em gêneros musicais como o funk, e a responsabilidade dos influenciadores e artistas quanto ao conteúdo que divulgam para milhares de seguidores nas plataformas digitais. A polícia de Santos reforça que continuará monitorando e agindo contra publicações que, em sua avaliação, configurem incitação à violência ou glamourização de atividades criminosas.

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