Dois vigilantes de uma empresa de segurança particular foram presos sob suspeita de torturar, matar e ocultar o corpo de um homem em situação de rua, na Praia do Suá, em Vitória, no Espírito Santo. Com essas novas prisões, ocorridas na quarta-feira (13), o número de detidos chega a quatro. Em abril, outros dois suspeitos já haviam sido presos. A polícia informou que ainda há três foragidos.
O crime
O crime aconteceu na madrugada de 17 de março. A vítima, Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, de 35 anos, foi sequestrada por um grupo de pelo menos oito homens, espancada por horas e levada até uma área de eucalipto na Serra, onde foi morta e enterrada. Todos os oito envolvidos foram afastados de suas funções na empresa. Desses, sete já tiveram mandados de prisão expedidos: dois em 21 de abril e cinco em 12 de maio. Durante o cumprimento dos novos mandados, os policiais não localizaram os suspeitos. No dia seguinte, dois se entregaram e três permanecem foragidos.
Investigação
A investigação começou após a mãe da vítima procurar a polícia, estranhando o desaparecimento do filho. Segundo o delegado Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas, o caso começou como desaparecimento, mas evoluiu para sequestro e homicídio qualificado. Imagens de videomonitoramento flagraram o momento em que a vítima foi rendida por motociclistas na Praia do Suá e colocada à força em um carro. As investigações apontaram que o grupo utilizou veículos da empresa de segurança para cometer o crime. A vítima foi levada até a região da Lagoa Juara, na Serra, e depois ao novo contorno de Jacaraípe, onde ocorreu a execução. A polícia acredita que Marcos Vinícius tenha sido submetido a pelo menos três horas de tortura antes de morrer, possivelmente por espancamento e sufocamento.
Ação dos vigilantes
De acordo com a polícia, os suspeitos atuavam como vigilantes e faziam rondas pela região. “Esse grupo que participou do crime são funcionários tipo rondista, ou seja, aquele funcionário que é acionado para fazer uma visita nos condomínios. Se de alguma forma o morador aciona, por qualquer suspeita, a função deles é acionar a Polícia Militar”, explicou o delegado Otoni. No entanto, nesse caso, eles decidiram agir por conta própria. “Marcos Vinicius, uma pessoa em situação de rua, já possuía alguns históricos criminais por furto, roubo e receptação, ao invés deles adotarem o protocolo de acionar a polícia, eles decidiram fazer justiça com as próprias mãos”, completou Otoni.
Antecedentes
A polícia informou ainda que há indícios de que a vítima já havia sido agredida pelo mesmo grupo cerca de uma semana antes do crime. Em uma das ocasiões, os suspeitos teriam tentado arrancar um dente da vítima com um alicate, mas ele conseguiu escapar.
Apreensões e perícia
Durante a operação, além das prisões, a polícia apreendeu veículos, motocicletas e simulacros de arma de fogo que teriam sido usados na abordagem. Exames periciais também identificaram vestígios de sangue em um dos carros utilizados pelos suspeitos. A empresa para a qual os investigados trabalhavam foi ouvida e, segundo a polícia, não há, até o momento, indícios de que a direção tenha participado ou tivesse conhecimento das ações criminosas. Os funcionários envolvidos foram afastados.
Enquadramento legal
O caso será encaminhado à Justiça como homicídio qualificado, sequestro, associação criminosa e ocultação de cadáver. A Polícia Civil informou que o inquérito deve ser concluído e enviado à Vara do Júri nos próximos dias.



