Madrasta é condenada a 49 anos por envenenar enteados com 'chumbinho' no Rio
Madrasta condenada a 49 anos por envenenar enteados no Rio (07.03.2026)

Madrasta recebe 49 anos de prisão por envenenar enteados com veneno de rato

O 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos e meio de prisão pelo envenenamento que causou a morte da enteada Fernanda Cabral, de 22 anos, e a tentativa de homicídio contra Bruno Cabral, então com 16 anos. O julgamento histórico atravessou a madrugada entre quarta e quinta-feira, com depoimentos emocionados que revelaram detalhes chocantes do crime ocorrido em 2022.

Julgamento marcado por confissão familiar e contradições

Após quase 16 horas de sessão, os jurados decidiram pela condenação da madrasta, que utilizou "chumbinho" - veneno para ratos - na comida servida aos dois enteados em ocasiões diferentes. O momento mais impactante do processo ocorreu quando os próprios filhos de Cíntia, Lucas e Carla Mariano Rodrigues, testemunharam como a mãe confessou os crimes em conversas particulares.

Lucas relatou ao júri que confrontou a mãe após suspeitar do envenenamento de Bruno: "Eu perguntei se ela tinha feito e ela assumiu que tinha feito com o Bruno. Quando perguntei da Fernanda, ela falou que tinha feito com a Fernanda também". A irmã Carla confirmou o relato, acrescentando que a mãe simplesmente disse "Eu fiz" quando questionada sobre os crimes.

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Detalhes macabros do envenenamento

Bruno Cabral, sobrevivente do ataque, descreveu com precisão o momento em que percebeu algo errado na comida: "Na hora de todo mundo se servir, ela já me deu o prato com feijão. Só o meu. Achei estranho, mas tudo bem. Percebi que o gosto estava estranho e reparei muitos pontinhos azuis no feijão". O jovem começou a separar as partículas e questionou a madrasta, que reagiu com nervosismo incomum.

Fernanda, a vítima fatal, passou mal após uma refeição na casa da madrasta, ficou 13 dias internada e não resistiu. Dois meses depois, Bruno apresentou sintomas semelhantes após comer no mesmo local, mas sobreviveu. Laudos periciais confirmaram que os sintomas eram compatíveis com intoxicação por carbamato, substância presente no "chumbinho".

Relação familiar conturbada e desconfianças

Depoimentos de familiares pintaram um quadro de tensão constante entre Cíntia e os enteados. O pai das vítimas, Adeílson Cabral, relatou que a madrasta "brigava muito mais" com Fernanda e que seus favores à filha geravam incômodo na companheira. Bruno chegou a sair da casa do pai devido aos conflitos com a madrasta.

A mãe das vítimas, Jane Cabral, descreveu uma relação distante com Cíntia e revelou detalhes perturbadores: "Durante toda a internação da Fernanda ela me oferecia comida, em quentinha". Dias após o enterro da filha, Jane recebeu um bolo de chocolate enviado por Cíntia que foi imediatamente descartado.

Interrogatório marcado por contradições

Durante seu depoimento, Cíntia negou todas as acusações, afirmando "Eu jamais faria isso". No entanto, a juíza Tula Corrêa de Mello destacou várias contradições em suas declarações. Quando questionada sobre os "pontinhos azuis" relatados por Bruno no feijão, Cíntia tentou justificar que poderiam ser do chimichurri usado no tempero.

A magistrada confrontou a ré com versões diferentes dadas durante a investigação, especialmente sobre quem teria descartado o prato de comida de Bruno. Em um momento, Cíntia afirmou que o adolescente jogou no lixo; instantes depois, mudou para "Eu me enganei. Fui eu mesmo que joguei na sacolinha".

Reações após a condenação

Familiares e amigos das vítimas comemoraram a decisão judicial nas redes sociais. Uma amiga de Fernanda escreveu: "Depois de 16h de audiência nós conseguimos! Nada vai trazer a nossa Fefa de volta, mas hoje o coração fica um pouco mais aliviado".

Lucas Mariano Rodrigues, filho da condenada, também se manifestou: "Única e última vez que venho falar disso aqui. A justiça foi feita! Pra mim, o caso sempre foi bem esclarecido e sempre dormi de cabeça tranquila". Os advogados de defesa de Cíntia já anunciaram que vão recorrer da decisão.

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O caso, que chocou o Rio de Janeiro, serviu como exemplo trágico de como conflitos familiares podem escalar para violência extrema. A condenação de 49 anos e meio reflete a gravidade dos crimes cometidos contra dois jovens que confiavam na pessoa que deveria protegê-los.