Justiça de São Paulo recusa prisão temporária de proprietários da academia C4 Gym
A Justiça de São Paulo decidiu, nesta sexta-feira (13), negar o pedido de prisão temporária dos três donos da academia C4 Gym, localizada na Zona Leste da capital paulista. Eles foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio com dolo eventual, após a morte de uma aluna que participou de uma aula de natação no último fim de semana. A decisão judicial optou pela aplicação de medidas cautelares alternativas em vez da prisão.
Medidas cautelares substituem a prisão dos sócios
A juíza Paula Marie Konno, da 2ª Vara do Júri, fundamentou sua decisão afirmando que a prisão cautelar deve ser considerada a "exceção da exceção", sendo aplicável apenas quando outras medidas não forem suficientes. Dessa forma, os três sócios terão que cumprir uma série de condições estabelecidas pela Justiça.
- Comparecimento mensal em juízo para prestar esclarecimentos.
- Proibição de manter qualquer tipo de contato com as testemunhas do caso.
- Restrição de acesso às imediações da academia C4 Gym, que atualmente se encontra lacrada pelas autoridades.
A magistrada ressaltou que a prisão preventiva será determinada somente em caso de descumprimento das condições impostas. Ela também considerou que o risco à integridade das provas está mitigado, uma vez que a perícia na água da piscina já foi realizada, produtos químicos foram apreendidos e a perícia no local foi devidamente requisitada.
Polícia Civil e Ministério Público tinham posicionamentos divergentes
O pedido de prisão temporária dos três sócios havia recebido manifestação favorável do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). No entanto, a Justiça optou por seguir um caminho diferente, aplicando as medidas cautelares. A decisão também destacou que não houve registros concretos nos autos de que os sócios estivessem intimidando ou constrangendo testemunhas do caso.
Em nota à imprensa, os advogados Rafael Serra Oliveira e Caio Rimkus, que representam os sócios da C4 Gym, afirmaram que seus clientes "cumprirão fielmente todas as cautelares alternativas impostas pela Justiça". Eles reiteraram que os empresários permanecem à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos, confiando que a investigação prosseguirá de forma técnica e isenta.
Investigação aponta para suspeita de intoxicação por cloro
A Polícia Civil de São Paulo continua investigando as causas e responsabilidades pela morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. O delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial (DP) do Parque São Lucas, afirmou que a academia usava, em apenas um dia, a quantidade de cloro que deveria ser aplicada ao longo de uma semana em piscinas do mesmo porte.
A suspeita principal é de que ela e outras seis pessoas que passaram mal tenham sido intoxicadas por cloro. O laudo pericial que poderá confirmar essa hipótese ainda não ficou pronto. A polícia apura se a manipulação inadequada do produto químico, realizada por um manobrista sem qualificação técnica, gerou a liberação de gases tóxicos.
Câmeras de monitoramento da academia registraram fumaça branca saindo de um balde com a mistura usada na piscina instantes antes da aula. Outras imagens mostram as vítimas pedindo ajuda de forma desesperada. A academia foi interditada pela prefeitura de São Paulo logo após o incidente.
Pedido de prisão foi baseado em dificuldades na investigação
A Polícia Civil pediu a prisão temporária de Cézar Terração e dos irmãos Cesar e Celso Bertolo Cruz após ouvi-los separadamente. No pedido, a polícia argumentou que os sócios dificultaram a investigação porque não deram acesso aos produtos químicos usados na piscina, nem forneceram uma relação de alunos que frequentavam as aulas de natação.
O delegado Rodrigo Rezende declarou que "o motivo da prisão temporária é garantir o sucesso da investigação, que nesse caso é muito importante para que o inquérito esteja perfeito e que os fatos estejam esclarecidos". Ele também afirmou que ficou comprovado, após o depoimento dos três empresários e do manobrista Severino, que houve tentativa de ocultar informações para encobrir a responsabilidade pelo tratamento da piscina.
O manobrista Severino José da Silva realizava o tratamento a partir de ordens recebidas via WhatsApp, mas ele não foi indiciado. A investigação continua em andamento, com a expectativa de que novos detalhes surjam com a conclusão dos laudos periciais.



