Justiça de Minas aumenta pena de bombeiro que assassinou policial penal em bar
Justiça aumenta pena de bombeiro que matou policial em BH

Justiça de Minas aumenta pena de bombeiro condenado por homicídio de policial penal

A Justiça de Minas Gerais determinou o aumento da pena do bombeiro aposentado Naire Assis Ribeiro, condenado pela morte do policial penal Wallysson Alves dos Santos Guedes. A punição, que inicialmente era de 17 anos de prisão, foi elevada para 20 anos e 18 dias em regime fechado, após recurso do Ministério Público estadual.

Crime ocorreu em bar após discussão com teor discriminatório

O homicídio aconteceu em fevereiro de 2024, em um estabelecimento comercial do bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte. Segundo as investigações, o militar atirou na vítima após uma discussão que teve conotações discriminatórias, embora o Tribunal do Júri tenha absolvido o réu da acusação específica de discriminação racial.

Ministério Público apresentou três argumentos para aumento da pena

O pedido de majoração da punição foi fundamentado em três aspectos principais:

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  1. Agravante da culpabilidade: O bombeiro retornou ao bar depois que a discussão parecia encerrada para efetuar os disparos.
  2. Premeditação e risco coletivo: A ação foi planejada e colocou em perigo outros clientes do estabelecimento, causando traumas psicológicos.
  3. Consequências amplas: O crime resultou em viuvez, orfandade e no fechamento do bar, impactando profundamente a família da vítima e a comunidade.

Detalhes do julgamento e alegações da defesa

Naire Assis Ribeiro foi julgado pelo Tribunal do Júri de Belo Horizonte em julho de 2025. Durante o interrogatório, ele afirmou que:

  • Discutiu com a vítima após questionar sua identificação como policial.
  • Saiu do local, ligou para o 190 e retornou armado.
  • Atirou após ver Wallysson sacar uma arma, alegando legítima defesa.
  • Pretendia se entregar, mas foi preso em sua residência antes.

A condenação inicial foi por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima). O MP também solicitou indenização de R$ 100 mil, mas a Justiça deixou essa questão para a esfera cível, a ser pleiteada pelos familiares.

Contexto racial e investigações policiais

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime teve elementos de intolerância racial. Gravações de chamadas ao 190 obtidas pela Polícia Civil mostram que o réu se referiu à vítima como "negro" e "haitiano", expressando desconforto com o fato de uma pessoa negra estar armada e se identificar como policial.

Como a Polícia Militar não se deslocou ao local após o chamado, o bombeiro voltou ao bar armado e efetuou múltiplos disparos contra o policial penal - ação que o MP classificou como "recurso que dificultou a defesa da vítima". A promotoria também destacou que o suspeito colocou em risco a segurança dos demais frequentadores do estabelecimento.

O caso continua a repercutir no sistema de justiça mineiro, com a sentença ampliada representando uma resposta mais severa às circunstâncias agravantes do crime violento.

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