Réus por morte de adolescente e jovem torturados vão a júri popular no RS
Julgamento por morte de adolescente e jovem torturados no RS

Julgamento por morte de adolescente e jovem torturados mobiliza fórum no RS

O julgamento de dois homens acusados pela morte de um adolescente e um jovem, que apresentavam sinais evidentes de tortura, teve início nesta terça-feira (3) no Foro Central de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana do Rio Grande do Sul. O caso, que chocou a comunidade local em março de 2023, envolve as mortes de Jonathan Júnior Xavier Lopes, de 16 anos, e Wesley Amaral dos Santos, de 19 anos.

Detalhes do crime e acusações

Os réus, identificados como Leopoldo Potter, proprietário de um depósito credenciado pelo Detran, e Thiago Martins, ex-funcionário do estabelecimento, respondem pelos crimes de duplo homicídio qualificado e dupla ocultação de cadáver. A investigação policial aponta que, na noite de 31 de março de 2023, as vítimas foram ao local para furtar baterias, acompanhadas por outros dois jovens que conseguiram escapar.

Surpreendidos por funcionários, Jonathan e Wesley foram capturados. Na manhã seguinte, seus corpos foram encontrados em uma estrada próxima ao depósito, com marcas de tortura, mãos amarradas e sacos plásticos cobrindo a cabeça. A cena evidenciou a brutalidade do crime, gerando comoção e revolta entre familiares e moradores da região.

Defesa dos acusados e processo separado

Durante o interrogatório, Leopoldo Potter alegou que um quarto homem, contratado para vigilância naquela noite, seria o verdadeiro autor dos homicídios. Tanto ele quanto Thiago Martins mantêm a declaração de inocência em relação aos assassinatos. Um terceiro suspeito, Rudimar da Silva Rosa, também funcionário do depósito, responde em um processo judicial separado e não integra este júri popular.

Famílias das vítimas pedem justiça máxima

Familiares de Jonathan e Wesley acompanham atentamente as sessões do julgamento, que deve se estender até quinta-feira (5), e expressam seu desejo por justiça. Eduarda Xavier Lopes, irmã de Jonathan, desabafou: "A gente só quer a justiça, que pegue pena máxima, porque o que fizeram não tem comparação. A gente sabe que ele estava errado, mas também não deveria pagar dessa forma, né? Dessa maneira. Que é horrível".

Marivane Carvalho dos Santos, tia de Wesley, compartilhou a dor da perda: "Antes era alegria, agora é dor. Reviver tudo o que a gente está revivendo hoje, não tem palavra". Ela destacou que os jovens poderiam ter enfrentado as consequências legais pelo furto, mas foram privados dessa oportunidade: "Eles poderiam ter pagado e agora eles poderiam ter retornado a vida deles, né? Mas eles não tiveram essa chance".

Contexto do local e repercussão

O depósito envolvido no caso, situado em São Leopoldo, era credenciado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e tornou-se palco de um crime que expôs questões sobre segurança, justiça e violência. A comunidade aguarda ansiosamente o desfecho do julgamento, que pode estabelecer um precedente importante para casos similares na região.

O júri popular, conduzido no Foro Central de Sapucaia do Sul, representa um momento crucial para as famílias das vítimas, que buscam não apenas a punição dos responsáveis, mas também um sinal de que a justiça será feita diante de um ato tão cruel e desumano.