Soldador enfrenta júri popular por tentativa de homicídio qualificado contra ex-chefe em Cubatão
O caso que chocou a região de Cubatão, no litoral paulista, chega ao tribunal do júri nesta quinta-feira (26). Ricardo da Silva, soldador de 43 anos, será julgado por sua suposta participação em uma tentativa de homicídio qualificado contra seu ex-supervisor, crime que ocorreu em 9 de agosto de 2024, apenas um dia após o acusado ter sido demitido pela vítima.
Detalhes do ataque violento na saída do alojamento
De acordo com as investigações, o ex-chefe de Ricardo foi surpreendido por um criminoso armado quando saía do alojamento da empresa na Rua João Damaso, no bairro Parque Fernando Jorge. O supervisor estava dentro de seu veículo quando um indivíduo encapuzado se aproximou e efetuou disparos.
O agressor então abriu a porta do carro, fez ameaças de morte e desferiu duas coronhadas no rosto da vítima, que conseguiu se defender com um chute. Na sequência, o suspeito tentou fugir e chegou a apertar o gatilho mais duas vezes, mas a arma apresentou falha técnica, impedindo novos tiros.
Fuga frustrada por acidente de trânsito e prisão em flagrante
Ricardo da Silva foi identificado por testemunhas como o motorista do carro que aguardava o atirador do outro lado da rua. Testemunhas afirmam que ele chegou a pedir para o comparsa atirar, mas acelerou o veículo quando percebeu que havia sido reconhecido.
Durante a fuga, o suspeito se envolveu em um acidente de trânsito entre as ruas Bahia e Ceará e foi preso em flagrante pela Polícia Militar. Apesar de negar qualquer envolvimento no crime, Ricardo foi detido com base nos depoimentos das testemunhas e em imagens de câmeras de monitoramento que flagraram seu carro próximo ao local do atentado minutos após o ocorrido.
Acusação do Ministério Público e defesa do réu
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) acusou Ricardo da Silva de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, caracterizado como vingança, e por utilizar recurso que dificultou a defesa da vítima, configurando emboscada e traição. O soldador permanece preso desde sua captura.
Em nota oficial, os advogados de defesa João Carlos de Jesus Nogueira e Rodrigo Santos Cruz afirmaram que seu cliente se declara inocente e manterá essa posição durante o julgamento. A defesa busca esclarecer os fatos que resultaram na prisão e confia na absolvição por meio de um processo justo, baseado apenas em elementos probatórios concretos.
Contexto do crime e investigação policial
Conforme o boletim de ocorrência, o supervisor havia demitido Ricardo porque o funcionário não respeitava a hierarquia estabelecida, prejudicando o andamento dos trabalhos na refinaria da Petrobras onde prestavam serviços terceirizados. O contrato estava próximo do fim quando a demissão ocorreu.
A vítima não foi atingida por balas, mas sofreu ferimentos causados pelas coronhadas e precisou de atendimento médico no Hospital Ana Costa, em Santos, antes de registrar a ocorrência no 1º Distrito Policial de Cubatão.
A equipe da Polícia Civil que investigava o caso soube do acidente de trânsito envolvendo Ricardo enquanto colhia imagens de câmeras de segurança próximas ao local do atentado. Ao perceberem a semelhança do veículo acidentado com a descrição fornecida pelas testemunhas, os investigadores solicitaram que o motorista fosse apresentado na delegacia, onde foi formalmente identificado.
Tanto a vítima quanto outras testemunhas confirmaram que Ricardo era o motorista que facilitou a fuga do atirador após o ataque. Nesta quinta-feira, além do réu, quatro testemunhas devem ser ouvidas durante o julgamento no Fórum de Cubatão, que decidirá o futuro do soldador acusado de um dos crimes mais graves do ordenamento jurídico brasileiro.



