Influenciador é preso por suspeita de aliciar adolescentes no Vale do Aço
A Polícia Civil prendeu preventivamente nesta sexta-feira (27) um fotógrafo autônomo de 30 anos, suspeito de aliciar adolescentes pela internet com a promessa de ensaios fotográficos e submetê-las à exploração sexual em três cidades do Vale do Aço, em Minas Gerais. Segundo as investigações, já foram identificadas 15 vítimas nas cidades de Coronel Fabriciano, Timóteo e Ipatinga.
Mandado de prisão preventiva
O mandado de prisão foi expedido após a investigação apontar intimidação de vítimas e risco de fuga do investigado. O suspeito se apresentou acompanhado de advogado, permaneceu em silêncio durante a prisão e foi encaminhado ao sistema prisional. A delegada regional em Ipatinga, Talita Martins Soares, confirmou que há inquéritos instaurados nas três unidades da região.
"Foi através dessa investigação que saiu o mandado de prisão preventiva dele hoje, tanto por ameaças indiretas às vítimas como pelo risco de fuga", afirmou a delegada.
Denúncia nas redes sociais impulsionou investigação
A investigação ganhou novo impulso após dois jovens publicarem um vídeo nas redes sociais denunciando a atuação do fotógrafo, identificado como Manoel Querino. Eles se apresentaram como vítimas e relataram a forma como ele abordava adolescentes pela internet.
No vídeo, os dois afirmaram que decidiram tornar o caso público para alertar pais e responsáveis sobre a conduta do investigado, que além de fotógrafo também atuava como influenciador digital. Após a publicação, outras pessoas passaram a enviar relatos e a se identificar como possíveis vítimas.
Modus operandi do suspeito
Conforme a Polícia Civil, o suspeito abordava adolescentes pelas redes sociais oferecendo ensaios fotográficos profissionais para aumentar o engajamento delas. De acordo com a delegada Izabella Menegassi Dutra Santana, "ele sempre aborda essas vítimas pela rede social, prometendo um ensaio fotográfico profissional para engajar essas vítimas nas próprias redes sociais".
As sessões evoluíam para registros de conteúdo sexual, com participação de outros homens. "As vítimas eram iludidas e aliciadas e ele propunha uma sessão de foto sensual, que culminava também em fotos sexuais com a participação de outros homens", explicou a delegada.
Ameaças às vítimas
A investigação também apura o uso de ameaças para manter as vítimas em silêncio. Segundo as autoridades, o suspeito utilizava a possibilidade de divulgar imagens íntimas como forma de pressão. "Ele falava: 'Se não praticar tais atos, eu vou divulgar, vou mostrar para sua mãe o que você tá fazendo e vou divulgar na internet'", relatou a delegada.
Crimes investigados
O fotógrafo é investigado pelos seguintes crimes:
- Exploração sexual
- Aliciamento sexual
- Corrupção de adolescentes
- Armazenamento de pornografia infantojuvenil
- Violação sexual mediante fraude
- Estupro de vulnerável, a depender da idade das vítimas
"Uma vez que ele alicia essas adolescentes e pratica um ato sexual não consentido, dependendo da idade delas, vai se caracterizar sim estupro de vulnerável", explicou Izabella.
Importância de formalizar denúncias
A delegada regional reforçou que relatos nas redes sociais não substituem o registro oficial. A formalização da denúncia é fundamental para o avanço das investigações e para a adoção de medidas judiciais de proteção às vítimas.
"A Polícia Civil aproveita este momento para fazer um alerta e pedir às vítimas que sempre formalizem as denúncias", afirmou a autoridade.
Após a divulgação do caso, novas vítimas procuraram a delegacia. A expectativa é que outras pessoas se sintam encorajadas a denunciar. As delegacias de Coronel Fabriciano, Timóteo ou Ipatinga podem ser procuradas para que as vítimas possam prestar depoimento com segurança e garantia de sigilo.
A Polícia Civil informou que ainda apura se houve vantagem financeira nas ações do suspeito. Buscas e apreensões foram realizadas para recolher material digital que possa servir como prova nos processos judiciais.



