O influenciador digital Hytalo Santos e seu marido, Israel Vicente, foram condenados em primeira instância pela Justiça da Paraíba por crimes graves envolvendo exploração sexual de adolescentes. A sentença, proferida pela 2ª Vara Mista de Bayeux, determinou pena de mais de 11 anos de prisão para Santos e oito anos para Vicente, devido à produção de conteúdo sexual com menores.
Processos criminais e trabalhistas se acumulam
Além desta condenação, Hytalo Santos enfrenta outros 14 processos na Justiça paraibana, que tramitam nas esferas criminal e trabalhista. Na Justiça do Trabalho, o casal é réu por acusações graves como trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas para exploração sexual. Uma audiência trabalhista está marcada para o dia 20 de março.
Práticas irregulares com menores
O Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB) denunciou que o casal adotava práticas irregulares com os adolescentes, incluindo levá-los para morar em sua residência e submetê-los a condições degradantes de trabalho. As acusações detalham isolamento do convívio familiar e confisco de meios de comunicação com o mundo externo.
A defesa de Hytalo Santos e Israel Vicente foi contatada, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Sobre a condenação, os advogados já informaram que vão recorrer da decisão.
Outros processos em andamento
Dos 13 processos adicionais contra Hytalo Santos na Paraíba, um é criminal e 12 são cíveis, com acusações variadas que incluem:
- Ação Penal por resistência
- Dois processos por Direito de Imagem
- Três ações de Despesas Condominiais
- Uma ação sobre Direitos e Deveres do Condômino
- Três Execuções por Inadimplemento
- Uma execução por Compra e Venda
- Uma execução envolvendo a Taxa Selic
- Um processo de Reivindicação
- Um caso de Embargos à Execução
Os detalhes específicos de cada processo não estão disponíveis no sistema do Tribunal de Justiça. Ainda há registro de outros 14 processos arquivados definitivamente pela Justiça estadual, também sobre diversos temas.
Julgamento de habeas corpus em andamento
Nesta terça-feira (24), o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) retoma o julgamento de um pedido de habeas corpus para a soltura do casal. A primeira parte ocorreu em 10 de fevereiro, quando o desembargador relator João Benedito acatou parcialmente os argumentos da defesa. O desembargador Ricardo Vital pediu vistas, adiando a sessão.
Mesmo após a condenação em primeira instância no domingo (22), o julgamento do pedido de soltura segue na pauta. O TJPB confirmou que o caso continuará sendo analisado, pois a condenação não transforma automaticamente a prisão preventiva em cumprimento de pena. Essa mudança só ocorre quando o processo transita em julgado, após esgotar todos os recursos.
Situação carcerária
Hytalo Santos e Israel Vicente permanecem presos no Presídio do Róger, em João Pessoa, desde agosto de 2025. A defesa do casal mantém a intenção de recorrer da condenação.
Cronologia do caso
O caso ganhou notoriedade pública através de uma série de eventos:
- Denúncia pública: Em 6 de agosto, o youtuber Felca denunciou as práticas do influenciador, resultando na queda da conta do Instagram de Santos.
- Busca e apreensão: Mandado cumprido em 13 de agosto em condomínio de luxo onde o influenciador morava no bairro Portal do Sol.
- Bloqueio de redes sociais: Decisão judicial que bloqueou o acesso às redes sociais do influenciador.
- Proibição de contato: Hytalo Santos foi proibido de ter contato com os adolescentes citados no processo.
- Desmonetização: O influenciador não pode receber dinheiro por conteúdos publicados nas redes sociais.
- Segunda busca: Em 14 de agosto, a Justiça autorizou novas buscas e apreensões em endereços ligados a Santos.
- Prisão preventiva: Em 15 de agosto, o casal foi preso em Carapicuíba, na Grande São Paulo.
- Negativa de soltura: O TJPB negou pedido de liberdade do casal em 16 de agosto.
- Bloqueio de bens: A Justiça do Trabalho bloqueou carros, bens e valores de até R$ 20 milhões do influenciador.
- Transferência: Em 28 de agosto, o casal foi transferido para o presídio do Roger em João Pessoa.
- Réus por exploração sexual: O casal virou réu na Justiça Criminal pela produção de conteúdo sexual com adolescentes.
- Réus trabalhistas: O casal também é réu na Justiça do Trabalho por tráfico de pessoas e trabalho análogo à escravidão.
- Condenação: A Justiça da Paraíba condenou definitivamente o casal pelos crimes de exploração sexual.



