Justiça do Paraná encaminha caso de morte de miss teen para júri popular
A Justiça do Paraná determinou que o humorista Marcelo Alves dos Santos e seu filho, Dhony de Assis, sejam submetidos a julgamento por júri popular. Eles são acusados de envolvimento na morte da miss teen Raíssa Suelen Ferreira da Silva, de 23 anos, ocorrida em Curitiba. A data para o julgamento ainda não foi estabelecida, mas a decisão judicial marca um passo crucial no processo.
Linha do tempo do crime e confissão
O crime aconteceu no dia 2 de junho de 2025, data em que Raíssa foi registrada como desaparecida. Sete dias depois, seu corpo foi encontrado enrolado em uma lona em uma área de mata em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A descoberta ocorreu após Marcelo procurar a polícia e confessar o assassinato, fornecendo detalhes sobre o local onde escondeu o corpo.
Acusações e qualificadoras do crime
Segundo a decisão judicial, Marcelo Alves dos Santos responderá por:
- Feminicídio qualificado
- Ocultação de cadáver
- Fraude processual
O filho dele, Dhony de Assis, será processado por participação nos crimes posteriores ao homicídio, especificamente:
- Fraude processual
- Ocultação de cadáver
A Justiça considerou várias qualificadoras no caso de Marcelo, incluindo que o crime foi cometido no contexto de violência doméstica ou familiar. Isso se baseia na existência de uma relação de confiança e afeto entre autor e vítima, que via Marcelo como uma figura paterna. Outras qualificadoras incluem menosprezo à condição de mulher, recurso que dificultou a defesa da vítima e asfixia.
Posições da defesa e da acusação
Por meio de nota, o advogado Caio Percival, que representa os acusados, afirmou receber a decisão com naturalidade, mas discorda do reconhecimento do crime como feminicídio. Ele anunciou a intenção de recorrer da decisão, argumentando que a classificação jurídica será contestada em instância superior.
Em contrapartida, o advogado Leonardo Mestre Negri, representante da família da vítima, destacou que a decisão confirma a solidez da acusação e afasta tentativas de descaracterizar o feminicídio. Ele enfatizou que o Judiciário reconheceu base jurídica e probatória suficiente para levar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri, mantendo a imputação qualificada.
Detalhes do caso e relação entre vítima e acusado
Raíssa Suelen ficou desaparecida por oito dias antes de seu corpo ser encontrado. Natural de Paulo Afonso, na Bahia, ela migrou para o Sul há três anos para seguir o sonho de se tornar modelo e atriz. A mudança foi intermediada por Marcelo, que conheceu Raíssa quando ela tinha 10 anos e ainda morava no Nordeste.
Antes de ser morta, a miss se preparava para outra mudança, desta vez para Sorocaba, em São Paulo, também após indicação de Marcelo. No entanto, conforme revelado à polícia, o convite era uma mentira contada para atrair Raíssa.
Confissão e depoimentos
De acordo com a delegada Aline Manzatto, que conduziu as investigações iniciais, Marcelo confessou ter levado Raíssa para almoçar e, em seguida, à sua casa. Lá, ele afirmou estar apaixonado pela vítima, mas não foi correspondido, e disse ter sido xingado por ela. O humorista admitiu ter matado Raíssa por estrangulamento, usando uma abraçadeira plástica.
Em depoimento, Dhony afirmou que recebeu uma ligação do pai e, ao chegar à casa, viu o corpo de Raíssa enrolado em uma lona. Ele disse ter tentado convencer o pai a se entregar à polícia e, após a recusa, dirigiu um carro emprestado até Araucária, onde Marcelo enterrou sozinho o corpo. Dhony alegou não ter ajudado a carregar o corpo ou cavar a cova, versão confirmada por Marcelo na ocasião.
Situação processual dos acusados
Atualmente, Marcelo permanece preso preventivamente, enquanto Dhony responde em liberdade, com medidas cautelares aplicadas. O caso continua sob acompanhamento judicial, com expectativa de recurso por parte da defesa e preparativos para o julgamento por júri popular.



