Fundadora de empresa de 'culto do orgasmo' é condenada a nove anos de prisão por trabalho forçado
Fundadora de 'culto do orgasmo' condenada a 9 anos de prisão

Empresária do bem-estar sexual recebe sentença de nove anos por esquema de exploração

Nicole Daedone, conhecida como a "guru do orgasmo" e fundadora da empresa de bem-estar sexual OneTaste, foi condenada a nove anos de prisão federal por conspiração para cometer trabalho forçado. A sentença, determinada pela juíza Diane Gujarati do tribunal federal de Brooklyn, inclui ainda o confisco de 12 milhões de dólares, valor equivalente à venda da companhia em 2017.

Cúmplice também recebe mesma pena por participação no esquema

Junto com Daedone, a ex-diretora de vendas da OneTaste, Rachel Cherwitz, foi sentenciada à mesma pena de nove anos de encarceramento. Ambas já haviam sido condenadas em junho de 2025 por seu envolvimento no esquema que durou aproximadamente uma década. Sete vítimas do caso receberam cerca de 890 mil dólares em restituição.

"Este caso expôs um esquema de uma década no qual as rés utilizaram coerção psicológica, emocional e financeira para controlar suas vítimas e extrair trabalho e serviços para benefício próprio", afirmou o Procurador Joseph Nocella, Jr. do Distrito Leste de Nova York em comunicado oficial.

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Coerção disfarçada de empoderamento sexual

Segundo as acusações, Daedone e Cherwitz coagiram funcionárias a realizar atos sexuais com clientes e investidores sob o disfarce de práticas de "bem-estar" e "empoderamento". O diretor assistente do FBI encarregado do caso, James C. Barnacle, destacou que as rés "coagiram as vítimas em repetidas manipulações psicológicas e abusos sexuais para obter trabalho e serviços não remunerados ou sub-remunerados para seu proveito pessoal e financeiro".

Nocella complementou: "A coerção disfarçada de bem-estar ou empoderamento ainda é exploração, e é um crime que causa danos a vítimas vulneráveis. A combinação de trabalho forçado com exploração sexual praticada pelas rés causou traumas que vão além de salários perdidos ou longas jornadas".

Métodos abusivos da OneTaste revelados no julgamento

A OneTaste foi fundada em 2004 na Califórnia e promovia a prática da "meditação orgástica" (OM), considerada por muitos um "culto ao orgasmo". A empresa gerava receitas através de:

  • Cursos e mentorias caras
  • Eventos de meditação orgástica
  • Aulas sobre outras práticas sexuais

A decisão judicial apontou que as condenadas utilizavam táticas abusivas de manipulação emocional e psicológica para tornar jovens mulheres dependentes da organização. As vítimas eram submetidas a:

  1. Endividamento forçado para financiar cursos caríssimos
  2. Vigilância constante em residências comunitárias
  3. Compartilhamento obrigatório de informações sensíveis sobre traumas passados
  4. Privação de sono sistemática
  5. Abuso sexual regular

Testemunhos revelam profundidade da exploração

Três testemunhas relataram durante o julgamento como foram coagidas a se tornarem "assistentes" do investidor inicial da OneTaste, que também era namorado de Daedone. Elas eram obrigadas a morar com ele, realizar atos sexuais sob sua direção e prestar serviços domésticos.

Outras testemunhas afirmaram ter sido coagidas, sob ameaça de demissão, rebaixamento, ostracismo e ruína financeira e espiritual, a realizar atos sexuais com potenciais clientes e investidores da empresa.

A empresa anunciava que seus cursos curavam traumas sexuais e traziam benefícios, mas a realidade revelada no tribunal mostrou um sistema organizado de exploração que utilizava vulnerabilidades emocionais para extrair trabalho e serviços sexuais não remunerados.

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