Funcionário de farmácia é executado a tiros em Londrina; réu condenado a 16 anos
Jander Bezerra da Silva aguardou por exatos 42 minutos nas imediações de uma farmácia em Londrina, no norte do Paraná, até encontrar o momento oportuno para cometer um crime brutal. Ele entrou no estabelecimento e assassinou a tiros William Aparecido Henrique Ferreira, um jovem de 25 anos que trabalhava no local. A sentença, proferida pelo tribunal do júri nesta terça-feira (10), condenou Jander a 16 anos e seis meses de prisão pelo homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Detalhes macabros do planejamento
Conforme a decisão judicial, a perícia no celular do réu revelou vídeos dele manuseando uma arma semelhante à usada no crime, gravados apenas cinco dias antes do assassinato. "O réu permaneceu por aproximadamente 42 minutos nas imediações da farmácia, aguardando o momento oportuno para a execução, o que afasta qualquer hipótese de impulso momentâneo ou reação emocional imediata, revelando frieza, autocontrole e firme determinação em ceifar a vida da vítima", consta na sentença. Jander se recusou a explicar como conseguiu a arma durante o interrogatório, mas insistiu que não planejou o crime.
Motivação passional e ciúmes doentios
Entretanto, o réu confessou que cometeu o homicídio porque sabia que sua esposa e William tiveram um breve relacionamento enquanto a mulher estava solteira. Jander afirmou ter lido no celular da companheira, antes do crime, que o jovem pretendia estudar na mesma faculdade que ela. "Fiquei com muitos ciúmes, perdi a cabeça", relatou. Investigações da Polícia Civil, conduzidas pelo delegado Miguel Chibani, apuraram que essa relação havia ocorrido há mais de um ano, entre 2023 e 2024. A sentença é enfática: "[...] demonstra de forma clara e objetiva que o delito foi premeditado, fruto de planejamento prévio e reflexão prolongada por dias".
Como ocorreu o crime fatal
No dia 27 de fevereiro de 2025, por volta das 11h25, Jander entrou na farmácia localizada na Avenida Inglaterra e pediu diretamente a William um medicamento. Imagens de segurança mostram a vítima indo até as prateleiras, momento em que o homem aponta um revólver na cabeça dela e tenta disparar pela primeira vez, mas a arma falha. William escutou o barulho e tentou se afastar, mas foi atingido por pelo menos dois disparos. O atirador fugiu correndo em uma motocicleta, usando boné, mochila, moletom com capuz e calça. Apesar da rápida intervenção do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), William não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Identificação e prisão do réu
Imediatamente após o crime, a Polícia Militar recebeu informações anônimas sobre a identidade do suspeito. Os detalhes foram repassados à Polícia Civil, que iniciou as investigações focando em um possível caso passional. Os policiais localizaram a casa de Jander Bezerra da Silva, onde a esposa permitiu a entrada. No imóvel, foi encontrada a moto usada no crime, além de porções de maconha, cocaína, MDMA, balança e embalagens, indicando envolvimento com tráfico de drogas. Jander foi preso em seu local de trabalho, em um mercado, no mesmo dia. Ele negou ter atirado em William e disse que não estava na farmácia no momento do crime, mas contradições em seu depoimento e um boné reconhecido como dele, encontrado na cena, fortaleceram as acusações.
Recurso da defesa e próximos passos
A advogada Indyanara Pini, que representa Jander, informou que apresentou recurso sobre a decisão do júri. Em nota, ela afirmou: "A defesa buscou o afastamento das qualificadoras do crime, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Apesar das provas de que o crime foi passional, as qualificadoras foram mantidas. A sentença fixou a pena de 16 anos e 6 meses, e, já no ato foi interposto recurso de apelação". As razões do recurso serão apresentadas na próxima semana, e o processo seguirá para julgamento no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).



