A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta sexta-feira (27), uma funcionária pública municipal de Santo Antônio do Jardim, no interior de São Paulo, sob suspeita de vender e aplicar ilegalmente medicamento semelhante ao utilizado em canetas emagrecedoras dentro do próprio posto de saúde onde trabalhava. A investigação revelou que a servidora utilizava seringas e agulhas destinadas a pacientes diabéticos, desviadas do estoque da unidade, para realizar aplicações sem qualquer prescrição médica, avaliação clínica ou critério sanitário adequado.
Operação conjunta e apreensões significativas
A investigação teve início após a delegacia de Espírito Santo do Pinhal receber informações sobre a prática ilegal. Em trabalho conjunto com a unidade policial de Santo Antônio do Jardim, foram levantados elementos suficientes para solicitar mandados de busca e apreensão à Justiça. Os mandados foram cumpridos nesta sexta-feira, tanto no posto de saúde quanto na residência da suspeita.
Durante as buscas na unidade básica de saúde, localizada na região central da cidade de aproximadamente 6 mil habitantes, os policiais encontraram 24 frascos vazios de tirzepatida, princípio ativo utilizado em canetas emagrecedoras. Os frascos apresentavam diferentes concentrações: 15 mg, 10 mg, 7,5 mg e 60 mg.
Materiais evidenciam uso amplo e irregular
Além dos frascos, foram localizadas seringas, agulhas e ampolas entre os materiais de descarte. Segundo os investigadores, esses itens foram encontrados em salas diferentes do posto de saúde, o que evidencia a amplia utilização da substância na unidade. A Polícia Civil informou que os 24 frascos vazios apreendidos seriam suficientes para preparar aproximadamente 144 doses do medicamento.
Com base nos materiais apreendidos, a servidora foi presa em flagrante e, conforme informado pela Polícia Civil, encaminhada para a Cadeia Pública de São João da Boa Vista após o registro da ocorrência. A detenção ocorreu no próprio local de trabalho, destacando a gravidade das acusações.
Questionamentos à administração municipal
O caso levantou questões sobre a supervisão administrativa no posto de saúde. A reportagem solicitou à Prefeitura de Santo Antônio do Jardim informações sobre se a servidora também estava sendo investigada em âmbito administrativo e quais medidas serão adotadas em resposta ao incidente. Até o momento, a administração municipal não se posicionou oficialmente, e a matéria será atualizada assim que houver um pronunciamento.
Este caso ilustra sérias vulnerabilidades no controle de medicamentos e materiais médicos em unidades públicas de saúde, além de levantar preocupações sobre a segurança dos pacientes e o desvio de recursos públicos para fins ilegais. A ação da Polícia Civil demonstra o compromisso em combater práticas irregulares que colocam em risco a saúde pública e a confiança da população nos serviços de saúde municipais.



