Justiça converte prisão de filha de chefe do Comando Vermelho em domiciliar em Mato Grosso
A Justiça de Mato Grosso determinou a conversão da prisão preventiva de Kauany Beatriz de Sá Silva em prisão domiciliar. Ela é filha de Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como Angeliquinha, chefe da facção criminosa Comando Vermelho que está foragida desde agosto de 2025.
Operação policial e prisão da investigada
Kauany Beatriz foi presa na última quinta-feira, dia 5, durante mandados cumpridos nas cidades de Alta Floresta e Nova Bandeirantes, no norte de Mato Grosso. A investigada é suspeita de integrar um sofisticado esquema criminoso que envolve tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e divulgação de jogos de azar ilegais.
O g1 tenta localizar a defesa da investigada para obter posicionamento sobre o caso, mas até o momento não houve retorno dos advogados.
Fundamentação da decisão judicial
A decisão que converteu a prisão preventiva em domiciliar foi tomada pelo juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop. O magistrado considerou que Kauany Beatriz está grávida e é mãe de uma criança menor de 12 anos, fatores que pesaram na alteração da medida cautelar.
Com a nova determinação, ela deverá cumprir uma série de regras rigorosas impostas pela Justiça, incluindo:
- Comparecimento obrigatório a todos os atos do processo judicial
- Obrigação de manter telefone e endereço residencial sempre atualizados
- Uso de monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira
- Suspensão imediata do passaporte da investigada
Situação de outros familiares investigados
Enquanto Kauany teve sua prisão convertida em domiciliar, a situação de outros familiares envolvidos no caso foi diferente. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou que as custódias de Paulo Felizardo de Sá, pai de Angélica, e do genro Guilherme Laureth também foram analisadas pelo mesmo magistrado, mas tiveram mantidas as prisões preventivas.
Guilherme Laureth, marido de Kauany, era conhecido por ostentar viagens luxuosas e bens de alto valor nas redes sociais, sempre em fotografias publicadas ao lado da família.
Esquema criminoso familiar e fachadas legais
A investigação policial apontou que Kauany Beatriz se apresentava nas redes sociais como influenciadora digital, proprietária de uma loja de roupas e de um estúdio de sobrancelhas, além de divulgar regularmente jogos de azar on-line.
Segundo as autoridades, esses negócios funcionavam como mecanismos de fachada para o esquema criminoso e, posteriormente, eram apresentados como fontes de ganhos legítimos para justificar a movimentação financeira da organização.
Contexto familiar: mãe condenada a quase 100 anos
Angélica Saraiva de Sá, mãe de Kauany e chefe do Comando Vermelho em Mato Grosso, foi condenada a 99 anos e 11 meses de prisão em regime fechado pela morte de quatro trabalhadores em Nova Monte Verde, município localizado a 920 quilômetros de Cuiabá, em 2022.
A ré foi condenada pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, além de integrar organização criminosa. As vítimas foram identificadas como:
- Jefferson Vale Paulino, de 27 anos
- Alan Rodrigues Pereira, de 36 anos
- João Vitor da Silva, de 19 anos
- Caio Paulo da Silva, de 31 anos
Na época do julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi praticado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou significativamente a defesa das vítimas.
Angélica, que também foi alvo da operação policial realizada na última semana, não foi localizada pelas autoridades, mantendo-se foragida da Justiça desde agosto do ano passado.



