Caso Brunna Letycia: família expressa indignação após julgamento em Juiz de Fora
Herick Dornelas e Renata Alexandre Santana, acusados do homicídio qualificado de Brunna Letycia Vicente Alves de Souza Leonel, ocorrido em Juiz de Fora no ano de 2024, tiveram a acusação desclassificada pelo Tribunal do Júri da cidade. Em vez de homicídio doloso, o casal foi responsabilizado pelos crimes de lesão corporal seguida de morte e ocultação de cadáver, recebendo penas de 8 e 9 anos de prisão, respectivamente.
A sentença foi publicada após dois intensos dias de julgamento, que se encerraram na noite da última sexta-feira, dia 17. Os familiares de Brunna, que tinha apenas 24 anos na época do crime, receberam a decisão com profunda indignação e manifestaram publicamente sua insatisfação com o desfecho judicial.
Reação da família: indignação e busca por justiça
Jane dos Santos Vicente, mãe da vítima, desabafou sobre a dor de não ter podido se despedir da filha de forma digna. "Me sinto indignada. Nem pude me despedir da minha filha, porque ela estava irreconhecível. Eles não só jogaram o corpo na mata, como também colocaram fogo. É um absurdo como alguém comete um crime bárbaro desse e é julgado de forma tão banal", declarou emocionada.
Humberto Brendon, irmão de Brunna, também criticou veementemente a pena aplicada. "Acho inadmissível uma pena de 8 anos diante de tanta crueldade. Quem coloca um corpo dentro de uma mala, descarta em um matagal, não pratica lesão corporal. Isso foi um assassinato cruel", afirmou. Ele revelou que a família está tentando buscar esclarecimentos sobre o caso e constituir assistente de acusação, além de procurar os órgãos competentes e o Ministério Público para entender o resultado.
Detalhes do julgamento e fundamentação da decisão
O júri popular, composto por sete jurados, entendeu que houve agressões que causaram a morte de Brunna Letycia, mas não reconheceu a intenção de matar, elemento essencial para a condenação por homicídio doloso. Inicialmente, o casal respondia por homicídio qualificado por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além da ocultação de cadáver.
A juíza Joyce Souza de Paula, ao definir as penas, considerou que ambos admitiram espontaneamente ter participado do desaparecimento do corpo, o que resultou em redução parcial da punição para esse crime específico. No entanto, em relação às agressões que levaram à morte, a redução foi aplicada apenas a Herick, pois Renata não confessou envolvimento direto nas agressões.
Situação atual dos réus e contexto do crime
Segundo informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Renata Alexandre Santana está presa desde 5 de janeiro de 2024 na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Juiz de Fora. Herick Dornelas encontra-se no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) da mesma cidade desde 14 de agosto do mesmo ano. Ambos cumprirão a pena em regime fechado.
As investigações da Polícia Civil indicam que o crime teria ocorrido após uma crise de ciúmes. Câmeras de monitoramento flagraram o casal saindo do apartamento com o corpo de Brunna dentro de uma mala. Renata, em depoimento, confessou ter tido um relacionamento íntimo com a vítima em 2023 e que, no dia 2 de janeiro de 2024, chamou Brunna para beber em sua casa com o marido. Uma discussão entre os três teria terminado com a morte da jovem, cujo corpo foi encontrado queimado em uma área de mata no bairro Milho Branco.
O julgamento, originalmente marcado para novembro do ano passado, foi adiado após Renata apresentar suspeita de tuberculose. A reportagem entrou em contato com o Ministério Público de Minas Gerais para saber se haverá recurso da decisão, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. As defesas dos réus também foram procuradas e aguardam posicionamento.



