Caso da família desaparecida no RS: polícia investiga homicídio e prende PM suspeito
O desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, completa três semanas neste sábado (14), sem que ela ou seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, tenham sido localizados. A polícia suspeita de homicídio e prendeu temporariamente o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana, como principal suspeito. A investigação, conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, revela detalhes sombrios sobre os eventos que levaram ao sumiço da família Aguiar.
Desaparecimentos e a postagem falsa nas redes sociais
Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em suas redes sociais afirmava que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. No entanto, a polícia descobriu que o acidente nunca ocorreu, e a postagem foi uma tentativa de despistar o desaparecimento. Desde então, seu celular está desligado, e ela não fez mais contato. Alertados por vizinhos sobre a publicação, seus pais saíram para procurá-la no domingo (25). Eles foram à delegacia distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada, e desde então também não foram mais vistos.
Prisão do policial militar e indícios telefônicos
O principal suspeito, Cristiano Domingues Francisco, foi preso temporariamente na terça-feira (10), após a quebra de sigilo telefônico revelar movimentações suspeitas. A Justiça decretou sua prisão com base em evidências que o ligam ao caso. A polícia identificou que os sinais de telefonia de Silvana e Cristiano se cruzaram de forma suspeita, indicando que ele esteve próximo da família no dia do desaparecimento dos idosos. Além disso, a chave da casa dos pais de Silvana estava com o suspeito quando ele foi ouvido como testemunha. Cristiano e sua atual companheira tiveram os celulares apreendidos, mas não forneceram as senhas, dificultando o acesso a mensagens e arquivos.
Vestígios de sangue e perícias em andamento
A perícia encontrou vestígios de sangue na casa de Silvana, coletados na quinta-feira (5). O material foi localizado dentro do banheiro e em uma área nos fundos da residência, sem sinais de luta corporal ou montagem de cena. Dois veículos da família e a casa de Isail e Dalmira também foram periciados, revelando diversos materiais genéticos e impressões digitais que seguem para análise no laboratório do IGP. A polícia aguarda resultados finais, incluindo imagens de câmeras de segurança que mostram movimentações atípicas na noite de 24 de janeiro, com carros entrando e saindo da residência de Silvana.
Relação conflituosa e envolvimento do Conselho Tutelar
Silvana e Cristiano não mantinham uma boa relação, o que pode ter motivado o crime. Eles têm um filho de 9 anos, que morava com a mãe mas passava fins de semana com o pai. Com o desaparecimento de Silvana, Cristiano procurou o Conselho Tutelar, que recomendou que a criança ficasse com ele durante as investigações; atualmente, o menino está com a avó paterna. Recentemente, Silvana havia acionado o Conselho Tutelar para relatar que o pai desrespeitava orientações sobre restrições alimentares do filho.
Áudios e ações do suspeito
Após a prisão, áudios atribuídos a Cristiano revelaram que ele perguntou a uma conhecida sobre a investigação, reclamando da demora da polícia. Em um áudio, ele disse: "Aproveitar e ver com o teu parente aí, ver o que eles conseguiram de imagem pra nós aí. Se a gente deixar só por eles (polícia), parece que não está progredindo". No dia 1º de fevereiro, ele enviou uma foto de dentro da casa dos pais de Silvana, mostrando um veículo do casal, e em outro áudio afirmou ter entrado várias vezes nas casas da família, alegando cuidar de animais de estimação. Foi o próprio suspeito quem registrou o primeiro boletim de desaparecimento de Silvana.
Contexto familiar e investigações complementares
Silvana é filha única e morava na mesma região dos pais, trabalhando com eles em um pequeno mercado familiar. Isail e Dalmira são descritos como queridos e tranquilos por parentes e vizinhos, com um bom relacionamento com a filha. A polícia também confirmou que um cartucho de festim encontrado na casa dos idosos é de munição não letal, usado em treinamentos ou efeitos especiais. A Brigada Militar informou que Cristiano será afastado do serviço policial, e a investigação é acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação. A prisão temporária tem prazo máximo de 30 dias, enquanto a polícia continua a apurar todos os ângulos deste caso complexo.



