Desaparecimento da família Aguiar completa um mês com revelações perturbadoras no Rio Grande do Sul
O misterioso desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, completa exatamente um mês nesta semana, com novas descobertas que aprofundam o mistério e reforçam as suspeitas de crime. A perícia realizada no celular de Silvana Germann de Aguiar, uma das três pessoas desaparecidas, trouxe uma revelação crucial: o aparelho nunca esteve em Gramado, contradizendo completamente uma publicação feita em suas redes sociais no dia 24 de janeiro.
Postagem falsa e a tentativa de despistar o sumiço
Conforme as investigações da Polícia Civil avançam, fica cada vez mais claro que a postagem nas redes sociais de Silvana, afirmando que ela havia sofrido um acidente em Gramado mas estava bem, foi uma tentativa deliberada de despistar o desaparecimento. O delegado Anderson Spier, responsável pelo caso, foi enfático: "Comprovamos a nossa suspeita de que ela não saiu de Cachoeirinha, não foi para Gramado, como aquelas postagens na rede social denotavam."
O celular de Silvana foi encontrado no início de fevereiro, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo ao mercado Aguiar, que pertence à família. Silvana, de 38 anos, e seus pais, Isail Aguiar (69 anos) e Dalmira Aguiar (70 anos), não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro, gerando uma comoção generalizada na comunidade local.
Os idosos também não deixaram a cidade
A investigação também descartou a hipótese inicial de que os pais de Silvana teriam saído de Cachoeirinha em busca da filha. "A princípio, a suspeita dos moradores que nós ouvimos, as testemunhas, era de que eles teriam saído em busca da Silvana, até provavelmente pudesse ter ido atrás dela em Gramado, mas nós já temos elementos que apontam que eles também não saíram da cidade", explicou o delegado Spier.
Os idosos foram vistos pela última vez por volta das 15h do dia 25 de janeiro, após tentarem registrar o desaparecimento da filha em uma delegacia que estava fechada. Segundo relatos, eles teriam visitado o ex-genro, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, antes de desaparecerem completamente.
Linha do tempo detalhada do caso
Para compreender melhor a complexidade deste desaparecimento, é essencial acompanhar a sequência de eventos que antecederam e sucederam o sumiço da família Aguiar:
- Antes do desaparecimento:
- 2 de janeiro: Silvana solicita contato do Conselho Tutelar em grupo de mensagens.
- 9 de janeiro: Silvana registra no Conselho Tutelar que seu ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho do casal.
- Fim de semana dos desaparecimentos (24-25 de janeiro):
- 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Câmeras de segurança registram movimentação atípica de veículos em sua residência.
- 25 de janeiro: Os pais saem para procurar Silvana, visitam o ex-genro e desaparecem após serem vistos entrando em um carro não identificado.
- Início das investigações (27 de janeiro a 4 de fevereiro):
- Registro formal dos desaparecimentos.
- Encontro de projétil de festim na casa dos idosos.
- Polícia Civil confirma que trata o caso como crime.
- Perícias e prisão (5 a 20 de fevereiro):
- Coleta de vestígios de sangue e material genético na casa de Silvana.
- Localização do celular de Silvana através de denúncia anônima.
- Prisão temporária do ex-marido Cristiano após quebra de sigilo telefônico revelar movimentações suspeitas.
Investigadores avançam mesmo sem localizar desaparecidos
A Polícia Civil já sinalizou que pode concluir o inquérito sobre o desaparecimento da família Aguiar mesmo sem localizar os três desaparecidos. As autoridades praticamente descartam a possibilidade de encontrá-los com vida, dado o tempo decorrido e as evidências coletadas até o momento.
O caso ganhou contornos dramáticos com a prisão do ex-marido de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, após áudios revelarem tentativas de interferência na investigação. O policial militar e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos celulares, dificultando ainda mais o trabalho dos investigadores.
Enquanto a comunidade de Cachoeirinha continua realizando protestos e caminhadas pedindo solução para o caso, o filho de Silvana foi encaminhado para a casa dos avós paternos, aguardando respostas sobre o destino trágico de sua mãe e avós maternos.



