Um empresário que cursava medicina foi preso em flagrante após se passar por um médico e realizar aproximadamente 150 exames de ultrassom em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Cananéia, no litoral de São Paulo. Wellington Augusto Mazini Silva, de 33 anos, usou o registro profissional (CRM) de um colega para atender pacientes durante dois dias, até que um erro grosseiro em um diagnóstico revelou a fraude.
Como a fraude foi descoberta
A farsa chegou ao fim quando o falso médico afirmou ter visualizado a vesícula biliar de uma paciente que, na verdade, não possuía mais o órgão, pois havia passado por uma cirurgia de remoção. A mulher, desconfiada do laudo, procurou o diretor de Saúde do município, que imediatamente acionou a Polícia Civil. A atuação ilegal ocorreu nos dias 6 e 7 de fevereiro, na UBS do Centro da cidade.
Segundo a prefeitura, o médico cuja identidade foi usurpada havia sido contratado regularmente por uma empresa gestora do sistema de saúde municipal. No entanto, quem compareceu ao local para trabalhar foi Wellington, portando documentos falsos. A administração municipal emitiu uma nota lamentando o ocorrido, pedindo desculpas à população e garantindo que todas as providências foram tomadas.
Investigação aponta possível conivência
A polícia investiga se houve um "acordo prévio" entre o estudante e o médico verdadeiro. Wellington teria dito, de forma informal, que receberia R$ 2 mil pelo serviço prestado. O profissional cujo CRM foi utilizado é considerado investigado e será ouvido pelos delegados. A corporação já colheu depoimentos de diversos pacientes e deve ouvir mais pessoas envolvidas.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) foi notificado e abriu uma sindicância para apurar o caso. Wellington, que está no quinto ano de medicina na Universidade Nove de Julho (Uninove), foi autuado pelos crimes de exercício ilegal da profissão e falsidade ideológica.
Consequências e reparação
Após audiência de custódia, a prisão em flagrante do empresário foi convertida em preventiva. Ele foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Registro. Seu advogado, Celino Barbosa de Souza Netto, anunciou que irá recorrer da decisão e trabalhará para provar a inocência do cliente durante o processo judicial.
Para reparar o prejuízo causado aos cidadãos, a Prefeitura de Cananéia remarcou todos os exames realizados pelo falso profissional. Cerca de 150 pacientes serão reavaliados nesta terça-feira (13) e quarta-feira (14), sob a supervisão de um novo médico contratado, com equipamentos adequados. A administração destacou que, embora o ultrassom seja um exame de baixo risco, sua execução por pessoa não habilitada configura uma grave violação ética e jurídica.