Estudantes são presos por tortura em alojamento de Etec em Iguape, SP
A Polícia Militar prendeu três estudantes acusados de torturar calouros em um alojamento da Escola Técnica Estadual (Etec) Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros, localizada em Iguape, no litoral de São Paulo. A ação ocorreu no sábado (14), após a Justiça determinar a prisão de um jovem de 18 anos e a apreensão de dois adolescentes, com idades de 15 e 16 anos.
Detenção e encaminhamento dos envolvidos
Os mandados judiciais foram cumpridos por equipes do 14º Batalhão de Polícia Militar do Interior. O estudante maior de idade, identificado como Kauê Vinicius Souza, foi preso, enquanto os dois adolescentes foram encaminhados à Fundação Casa de Peruíbe, no estado de São Paulo. O caso veio à tona na quarta-feira (11), inicialmente registrado como lesão corporal e vias de fato, mas as investigações da Polícia Civil avançaram para apurar os fatos como tortura, constrangimento ilegal e lesão corporal.
Relatos das agressões e 'juramento de trote'
Familiares das vítimas relataram ao g1 que as agressões ocorriam durante um suposto "juramento de trote", firmado entre veteranos e calouros no início do ano letivo, em fevereiro. Segundo os depoimentos, os estudantes eram orientados a não denunciar as violências, que incluíam agressões com alicates, cintos, pedaços de cano, tapas e humilhações, algumas delas gravadas em vídeo. Os investigados cursavam o segundo e o terceiro anos do ensino médio e atuavam como uma espécie de liderança no alojamento, que tem capacidade para 28 alunos.
Descoberta do caso e provas coletadas
A situação foi descoberta após a família de uma das vítimas perceber um ferimento provocado por alicate no peito do adolescente quando ele retornou para casa. Uma parente foi ao alojamento e encontrou pelos pubianos espalhados na cama como forma de punição, tomando conhecimento de que outros menores também haviam sido torturados. Na sexta-feira (13), a Polícia Civil solicitou mandados de prisão e busca e apreensão contra o trio, com base nas provas reunidas no inquérito, incluindo vídeos das agressões encontrados nos celulares dos jovens.
Posicionamento da escola e autoridades
Em nota publicada nas redes sociais, a Etec repudiou os fatos e informou que criou um comitê de crise, afastando imediatamente os três alunos envolvidos. O diretor Mauro Sérgio Adinolfi destacou que a unidade acompanha a apuração para analisar questões legais e restabelecer a ordem escolar. O Centro Paula Souza (CPS), que administra a Etec, afirmou que apura rigorosamente os fatos para aplicar medidas legais e presta auxílio aos estudantes e famílias. O Conselho Tutelar de Iguape e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo também estão acompanhando o caso, garantindo proteção aos adolescentes e realizando diligências para esclarecer os fatos.



