As buscas pelo corpo de Dagmar Grimm Streger, uma idosa de 76 anos desaparecida desde o dia 19 de dezembro, atingiram uma profundidade superior a 30 metros em um poço desativado localizado em seu sítio, na região do Rio Verde, em Bauru, no interior de São Paulo. A operação, que já dura semanas, mobiliza a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Obras do município.
Suspeitas recaem sobre caseiros e filho adolescente
A investigação policial aponta como principais suspeitos o casal de caseiros que vivia na propriedade, Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, de 40. Eles foram presos no dia 24 de dezembro em Salto do Itararé, no Paraná, quando tentavam trocar de veículo. Antes disso, haviam fugido com o carro da vítima, que foi localizado em Tatuí (SP).
Em depoimentos informais, conforme relatou o delegado Luciano Faleiro Rezende, o casal confessou ter desferido uma paulada na cabeça de Dagmar e, em seguida, jogado o corpo no poço de aproximadamente 35 metros de profundidade. No entanto, durante o interrogatório formal, optaram pelo silêncio, reservando-se o direito de se manifestar apenas perante um juiz.
Uma nova linha de investigação surgiu com a possível participação do filho do casal, um adolescente de 14 anos. O delegado Alexandre Protopsaltis, responsável pelo caso, explicou que Paulo Henrique, em um primeiro momento, tentou atribuir ao filho a autoria do golpe que teria causado a morte da idosa. Depois, assumiu a responsabilidade, mas, ao ser informado sobre a tese de crime com motivação econômica, voltou a indicar o adolescente como autor, alegando que ele apenas teria ocultado o cadáver. A polícia busca formalizar a oitiva do jovem, que está sob a guarda do Conselho Tutelar de Avaré (SP). Daniela, por sua vez, negou envolvimento, afirmando que dormia no momento do ocorrido.
Busca minuciosa e possível motivação financeira
As escavações no sítio começaram no dia 30 de dezembro e se tornaram uma tarefa complexa. Para permitir o acesso das máquinas, foi necessária até mesmo a demolição da casa da idosa. Nesta quarta-feira (14), as equipes retiraram mais arcos da estrutura do poço para avançar nos níveis de escavação.
A principal tese da Polícia Civil é de que o crime teve motivação financeira, visando o patrimônio de Dagmar. Para comprovar essa hipótese, a Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário dos suspeitos, e os investigadores aguardam as informações das instituições financeiras.
Linha do tempo do caso
19 de dezembro: Dagmar Grimm Streger é vista pela última vez.
22 de dezembro: Registro do boletim de ocorrência e início oficial da investigação.
24 de dezembro: Casal de caseiros é preso no Paraná.
30 de dezembro: Início das escavações no poço do sítio em Bauru.
14 de janeiro: Escavações ultrapassam a marca de 30 metros de profundidade.
O desaparecimento da proprietária do sítio continua sendo um mistério, mas as investigações seguem em duas frentes: a busca física por evidências no local e a apuração documental para desvendar as razões por trás do crime.