SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Samara Regina Dutra, de 19 anos, empregada doméstica grávida que foi vítima de agressões e tortura pela empresária para quem trabalhava no Maranhão, revelou que perdeu 50% da audição em decorrência da violência sofrida. Em relato publicado em uma rede social, Samara contou que sentia dores intensas e desconforto nos ouvidos, o que a levou a buscar atendimento médico.
Diagnóstico e reação
“Como consequência das coisas que aconteceram [agressões], eu estava ouvindo muito baixo, mas não achava que fosse algo tão sério. Porém, comecei a sentir muita dor para dormir ou com barulhos muito altos. Não é conclusivo ainda, mas, com base no exame que fiz, aparentemente perdi 50% da audição dos dois lados”, afirmou. A jovem disse ter ficado desesperada com a notícia, mas busca manter a calma pelo bem do bebê. “Fiquei um pouco assustada, me desesperei na hora, mas agora estou tentando lidar sem me desesperar, até porque tudo que sinto o Artur [bebê] sente. Então, tenho que manter a calma. Vou me consultar de novo semana que vem e, até lá, vou rezar para que esteja tudo bem e eu não precise usar aparelho auditivo”, completou.
O advogado Manaces Marthan, que representa Samara, confirmou o diagnóstico e informou que aguarda o laudo oficial.
Entenda o caso
A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa no dia 7 de abril sob suspeita de agredir e torturar a empregada doméstica, que trabalhava em sua residência em Paço do Lumiar, região metropolitana de São Luís, havia apenas 15 dias. Carolina estava em Teresina e tentava fugir, segundo a polícia. As agressões teriam ocorrido no dia 17 de março, quando Carolina acusou a empregada de ter roubado um anel.
A empresária enviou áudios a grupos de mensagens detalhando as violências cometidas, revelados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo. Em seu próprio relato, Carolina contou que contou com a ajuda de um homem armado para agredir e torturar a jovem. A empregada afirmou à polícia que as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas e murros, e que foi derrubada no chão. Caída, ela protegeu a barriga contra os chutes, mas outras partes do corpo foram atingidas, deixando-a com diversos hematomas.
“Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina nos áudios. A mulher contou que o homem ainda colocou a arma na cabeça e na boca da empregada. Mesmo com o anel tendo sido encontrado dentro de um cesto de roupa suja, as agressões continuaram, segundo o relato da empresária.
A jovem registrou boletim de ocorrência e passou por exames no Instituto Médico Legal (IML), que comprovaram as agressões. Um documento do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Maranhão, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, concluiu que os áudios divulgados com confissões de agressões e tortura são de Carolina. O delegado Walter Wanderley, responsável pela investigação, afirmou à TV Mirante que os áudios já estão anexados ao inquérito na 21ª delegacia do bairro Araçagy. “Está comprovado que ela foi agredida. Agora, não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. E o áudio, que a polícia já está de posse, já está apreendido. É uma prova incontestável também da autoria da agressão”, declarou o delegado.
Inicialmente, a defesa de Carolina admitiu as agressões, mas não a tortura. Seu novo advogado, Otoniel d'Oliveira Chagas Bisneto Prado, orientou a empresária a ficar em silêncio e declarou que fará levantamento sobre eventuais problemas psicológicos da cliente, como bipolaridade e borderline.



