Dono de bar tradicional é assassinado a facadas em Vila Velha
João Carlos Speedo, de 61 anos, proprietário de um bar tradicional no bairro de Itapuã, em Vila Velha, na Grande Vitória, foi morto a facadas dentro do próprio estabelecimento na noite desta segunda-feira (23). As investigações preliminares da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) indicam que o crime pode ter sido motivado pela cobrança de uma dívida entre a vítima e o assassino, com envolvimento de agiotagem.
Motivação do crime envolve cobrança por agiota
Segundo o delegado Adriano Fernandes, responsável pelas investigações, a principal linha de apuração sugere que o autor do crime, um frequentador habitual do bar de 58 anos, teria sido cobrado por um agiota a mando de João Carlos. A vítima teria realizado diversas tentativas anteriores para receber o valor devido, sem sucesso. O valor exato da dívida e suas origens específicas ainda estão sendo apurados pelos investigadores.
O suspeito, inconformado com a cobrança realizada por um terceiro, decidiu cometer o homicídio utilizando um canivete. Testemunhas relataram à Polícia Militar que, um dia antes do crime, já havia ocorrido uma discussão entre o suspeito e a vítima dentro do estabelecimento comercial.
Histórico criminal do autor do crime
Conforme informações do delegado Adriano Fernandes, esta não é a primeira ocorrência registrada contra o autor do assassinato. Em 2025, ele teria ameaçado uma pessoa com uma faca, e outra ocorrência por lesão corporal também consta em seu histórico. O suspeito estava embriagado no momento do crime, conforme confirmado pelas autoridades policiais.
Momento do crime foi registrado por câmeras de segurança
Câmeras de segurança instaladas no bar capturaram o momento exato do assassinato. Nas imagens, é possível ver o suspeito, vestindo uma camisa branca, se aproximando de João Carlos, que estava sentado atrás do balcão, e desferindo várias facadas contra ele. O crime ocorreu por volta das 18 horas, quando o agressor esfaqueou o proprietário múltiplas vezes até derrubá-lo no chão.
Um outro homem que estava no local tentou interromper o ataque, mas o agressor discutiu com ele também e saiu do estabelecimento brandindo a faca e ameaçando outros clientes presentes. A Guarda Municipal de Vila Velha informou que não foi acionada para esta ocorrência, tendo a Polícia Militar e a equipe de perícia da Polícia Científica atendido ao local.
Suspeito foi preso em outro bar do bairro
Após cometer o crime, o suspeito dirigiu-se a outro bar no mesmo bairro de Itapuã, localizado em frente à praia, onde acabou sendo preso. Um funcionário desse estabelecimento relatou que o homem pediu uma cerveja ao chegar e mostrou a arma utilizada no crime. Durante o tempo em que permaneceu no local, o suspeito enviou mensagens de áudio para outra pessoa, demonstrando irritação.
"Foi lá, pediu a conta como se fosse um cliente normal. Eu não esperava que depois fosse aparecer o camburão. Mas, depois disso (pagar a conta), começou a ficar um pouco nervoso, foi puxando papo, e disse que tinha matado alguém, que deu várias facadas", contou o trabalhador. "E aí ele começou a chorar, disse que estava arrependido, que tinha que ter pensado na filha dele".
Vítima era figura conhecida e querida na região
João Carlos Speedo era proprietário do bar há décadas, estando no endereço atual na Rua Goiânia, próximo à Comunidade São Pedro Pescador, há oito anos. Após o crime, familiares, amigos e clientes se reuniram no local para lamentar a perda, descrevendo a vítima como uma pessoa muito querida na região.
O aposentado José Carlos de Souza expressou sua tristeza: "Uma pessoa maravilhosa, tranquila, muito querida mesmo aqui em Itapuã. Pelo amor de Deus!". O músico Júlio Cesar dos Santos, amigo da vítima, acrescentou: "Era um amigo muito querido da gente. Frequentávamos aqui há muitos anos. Poxa, foi um choque muito grande para a gente! Foi uma perda assim muito triste".
Familiares de João Carlos preferiram não conceder entrevistas. O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) em Vitória para os procedimentos de praxe. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes deste trágico episódio que abalou a comunidade de Itapuã.



