DNA confirma abuso sexual de detenta por investigador da Polícia Civil em Sorriso
DNA confirma abuso sexual de detenta por investigador em MT

DNA confirma contato sexual entre investigador e detenta em delegacia de Sorriso

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) confirmou, nesta quinta-feira (12), através de exame de DNA, que o investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, teve contato íntimo com uma mulher que estava detida na delegacia de Sorriso, no Mato Grosso. O laudo pericial aponta "conjunção carnal" entre a vítima e o servidor público, embora o documento não cite especificamente o crime de estupro.

Material genético comprova abuso sexual

O resultado do exame confirmou a presença de material genético do investigador na região íntima da mulher, comprovando o abuso sexual. A perícia realizou dois exames: o primeiro ocorreu em Sorriso, três dias após os fatos, onde não foram identificados sinais externos visíveis de violência. No entanto, o diretor-geral da Politec, Jaime Trevizan Teixeira, explicou que a ausência de lesões aparentes não é suficiente para descartar a ocorrência de estupro.

Diante dessa constatação, o material biológico coletado foi encaminhado à Diretoria Metropolitana de Laboratório Forense, em Cuiabá, para análise complementar. Segundo a Politec, os exames laboratoriais são considerados fundamentais em casos onde não há vestígios físicos evidentes. A conclusão pericial foi encaminhada à autoridade responsável pelo inquérito, que já havia indiciado o investigador.

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Detenta relata múltiplos abusos sob ameaças

A vítima denunciou que foi estuprada cerca de quatro vezes pelo investigador em dezembro do ano passado. Na época, ela estava detida após ser apontada por participação em um crime, mas foi solta posteriormente por falta de provas. Após sua libertação, a mulher relatou o caso ao seu advogado e procurou o Ministério Público para formalizar a denúncia.

Segundo a declaração da defesa, o investigador retirava a mulher da cela e a levava para uma sala vazia. Nas quatro ocasiões, de acordo com o advogado, o abusador ordenou que a vítima ficasse em silêncio, sob a ameaça de matar sua filha menor de idade. A delegada responsável pelo caso, Layssa Crisóstomo, informou que outras presas foram ouvidas, mas até o momento não houve novas denúncias contra o policial.

Indiciamento e contexto do caso

O investigador foi preso no início de fevereiro e indiciado pelos crimes de estupro e abuso de poder. A delegacia onde o crime ocorreu é a mesma que foi alvo de denúncias anteriores, após conversas entre policiais vazadas no WhatsApp indicarem possível prática de abusos sexuais a outras detentas e possíveis torturas a investigados. No entanto, o indiciamento do investigador Manoel Batista da Silva não menciona ligação direta com essas conversas.

A instituição afirmou que atua de forma técnica e imparcial e reforçou que os laudos devem ser analisados dentro do conjunto das provas reunidas na investigação. O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE).

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