Diretor de escola estadual no Acre é preso por assédio sexual contra alunas
O diretor de uma escola estadual em Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre, foi preso e afastado do cargo após denúncias de assédio sexual contra alunas menores de idade. A Secretaria Municipal de Educação confirmou o afastamento nesta quinta-feira (26), medida tomada como precaução administrativa enquanto as investigações seguem em curso.
Denúncias de 12 alunas levaram à prisão
O caso veio à tona quando um grupo de 12 alunas procurou a delegacia para relatar supostos assédios sexuais praticados pelo diretor. Segundo o delegado Marcílio Laurentino, responsável pelas investigações, as estudantes informaram que uma delas havia sido vítima recentemente, enquanto as demais teriam sofrido assédio em períodos anteriores.
O suspeito foi preso dentro da escola ainda na segunda-feira (23) e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil. Quando ouvido pela polícia, o diretor negou todas as acusações, repassando o contato de seu advogado, que informou que se posicionaria sobre os fatos ainda nesta quinta-feira.
Detalhes das acusações
De acordo com o relato de uma das vítimas, o diretor teria chamado repetidamente uma das meninas para ir até sua sala, convite que ela recusou. Após esse episódio, a aluna afirmou que passou a ouvir assobios do diretor e receber olhares indiscretos, situações que configurariam assédio sexual.
"[As alunas] informaram que uma delas havia sido vítima de assédio sexual por parte do diretor e as demais em períodos anteriores", declarou o delegado Laurentino à imprensa.
Afastamento administrativo e nota oficial
A Secretaria Municipal de Educação de Marechal Thaumaturgo emitiu nota oficial informando que, mesmo sem confirmação formal dos órgãos investigativos, decidiu pelo afastamento cautelar do gestor. O diretor foi chamado ao gabinete do secretário Eclínio Furtado do Nascimento, onde prestou sua versão dos fatos.
A nota ressalta que o município repudia quaisquer atos de violação dos direitos humanos, especialmente em ambientes públicos como escolas. Contudo, a secretaria destacou que os supostos crimes não foram reportados aos profissionais da rede de proteção, mesmo com a implementação do programa Escuta Protegida, que conta com servidores da educação em sua equipe.
"Contudo, ainda que esta secretaria não tenha recebido nenhuma confirmação por parte dos órgãos responsáveis pela condução das investigações, foi tomado como medida administrativa cautelar o afastamento do gestor do exercício das atribuições do cargo até ulterior deliberação", diz trecho do comunicado.
Agravantes do caso
O diretor foi autuado pelo crime de assédio sexual, com agravante por ter ocorrido em ambiente escolar. Outro ponto que deve pesar nas investigações é que o crime teria sido praticado contra uma adolescente menor de 18 anos, conforme informações da polícia.
As demais vítimas ainda devem ser ouvidas durante esta semana, enquanto o caso segue sob investigação da Polícia Civil. O afastamento do diretor permanece até que uma nova decisão administrativa seja tomada.
Canais de denúncia
Autoridades relembram os canais disponíveis para denúncias de violência:
- Polícia Militar - 190: para situações de risco imediato
- Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes
- Delegacias especializadas no atendimento a crianças ou mulheres
- Disque 100: para denúncias anônimas de violações de direitos humanos
- Secretaria de Estado da Mulher do Acre: (68) 99930-0420
- WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008
Profissionais de saúde também têm obrigação de fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência, encaminhando as informações aos conselhos tutelares e polícia.



