Deolane Bezerra escreve carta da prisão e alega perseguição
Deolane Bezerra escreve carta da prisão e alega perseguição

A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, detida desde a última quinta-feira sob suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), escreveu uma carta da penitenciária onde está reclusa. No documento, ela afirma ser alvo de uma perseguição que já dura cinco anos e nega qualquer ligação com o crime organizado.

Carta alega perseguição e inocência

Na carta, Deolane declara: "Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião". A influenciadora relata que foi acordada com um fuzil apontado para o rosto e que nunca teve a oportunidade de se defender. "Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de quatro anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos", escreveu.

Ela também nega possuir 37 empresas em seu nome, classificando a informação como uma mentira que se tornou verdade por ser repetida. "Uma mentira que pode ser facilmente comprovada em uma simples pesquisa na junta comercial", afirma. Deolane reitera que está presa por um valor de R$ 24.500, referente a honorários advocatícios recebidos em espécie, e não por envolvimento com a transportadora mencionada no inquérito.

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Investigação e suspeitas de ligação com o PCC

Deolane foi presa por suspeita de integrar um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A investigação teve início com bilhetes e manuscritos atribuídos à facção, apreendidos há sete anos em um presídio de Presidente Venceslau, interior de São Paulo. Os documentos continham ordens internas e referências a membros do alto escalão da organização criminosa.

A polícia identificou a transportadora Lopes Lopes Transportes Ltda., cuja sócia é Elidiane Saldanha Lopes Lemos. Segundo as autoridades, a empresa não era apenas prestadora de serviços, mas uma "criação da própria facção" para lavagem de dinheiro. Embora os bilhetes não mencionassem Deolane diretamente, eles levaram os investigadores a ela em fases posteriores.

Deolane é apontada como beneficiária de valores vultosos da transportadora, sendo descrita como um "caixa do crime organizado". A polícia afirma que o dinheiro do crime era depositado em sua conta para se misturar com outros valores e ser devolvido em momentos oportunos. A ausência de contratos formais, apesar da grande movimentação financeira, é considerada uma das principais evidências de seu conhecimento da ação criminosa.

Defesa e recurso ao STF

Durante a audiência de custódia, a defesa de Deolane pediu sua libertação, alegando que ela tem uma filha menor de 12 anos. Os advogados também recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas o ministro Flávio Dino não viu "manifesta ilegalidade" na prisão e argumentou que o processo ainda deve percorrer outras instâncias antes de chegar ao STF.

A defesa afirma que Deolane é inocente e critica a operação como "desproporcional". Os advogados prometem esclarecer os fatos "em momento oportuno". A irmã da influenciadora, Dayanne Bezerra, compartilhou fotografias da carta nas redes sociais na tarde desta terça-feira (26).

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