Delegado baleado na cabeça por Roberto Jefferson assume chefia na Polícia Federal do Rio
O delegado da Polícia Federal Marcelo André Cortes Villela, que sofreu um ferimento grave na cabeça durante a operação que prendeu o ex-deputado Roberto Jefferson há quase quatro anos, foi nomeado para assumir a chefia do Serviço de Repressão à Criminalidade Violenta da PF no estado do Rio de Janeiro. A nomeação representa uma virada significativa na carreira do agente, que sobreviveu a um dos episódios mais violentos da história recente da corporação.
Confronto violento e acusações graves
No dia da operação, em outubro de 2022, Roberto Jefferson reagiu à ordem de prisão com disparos de fuzil e o lançamento de granadas contra os agentes federais. Marcelo Villela foi atingido na cabeça, sofrendo intenso sangramento e perda momentânea da visão. Apesar da gravidade do ferimento, ele conseguiu deixar a área de combate e se reunir com sua equipe. Outros dois policiais também ficaram feridos durante a ação, que se estendeu por horas.
Em seu depoimento, o ex-deputado admitiu ter efetuado aproximadamente cinquenta disparos e lançado três granadas, mas alegou que os agentes atiraram primeiro e que não teve intenção de matar ninguém. Jefferson afirmou que, se desejasse, poderia ter causado mortes, já que estava em posição superior e com armamento de precisão. No entanto, Villela classificou a ação como premeditada e com clara intenção de homicídio, contradizendo as alegações do acusado.
Negociação e prisão permanente
Após cerca de oito horas de intensa negociação, Roberto Jefferson finalmente se entregou às autoridades e foi levado à superintendência da Polícia Federal, onde permanece preso desde então. O ex-deputado foi indiciado por quatro tentativas de homicídio relacionadas ao episódio, aguardando julgamento enquanto cumpre pena preventiva.
A nomeação de Marcelo Villela para a chefia do Serviço de Repressão à Criminalidade Violenta ocorre em um contexto de reforço das operações contra crimes graves no Rio de Janeiro. Antes da promoção, ele atuava como assessor técnico na mesma delegacia, acumulando experiência que será crucial para sua nova função.
Nova responsabilidade e desafios futuros
Na nova posição, Villela será responsável por coordenar investigações de crimes violentos, incluindo homicídios e a atuação de organizações criminosas no estado. Ele integrará a linha de comando da polícia judiciária, desempenhando um papel estratégico no combate à criminalidade que assola a região.
Especialistas destacam que a experiência traumática do delegado pode trazer uma perspectiva única para o cargo, especialmente no que diz respeito ao enfrentamento de situações de alto risco. A nomeação também simboliza um reconhecimento institucional da bravura e resiliência demonstradas por Villela durante o confronto com Jefferson.
A Polícia Federal não divulgou prazos para a transição completa de funções, mas fontes internas indicam que Villela já começou a assumir suas novas responsabilidades, focando em estratégias para intensificar a repressão a grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro.