Conselheiros do Santos acionam comissão contra presidente por dívida com Neymar
Conselheiros do Santos acionam comissão contra presidente

Um grupo de 17 conselheiros do Santos protocolou, na última sexta-feira (24), um requerimento na secretaria do Conselho Deliberativo pedindo apuração e providências administrativas contra o presidente Marcelo Teixeira. O documento, endereçado à Comissão de Inquérito e Sindicância (CIS), questiona a repactuação da dívida com a NR Sports, empresa da família de Neymar. O objetivo do grupo é refazer o acordo para o pagamento de R$ 90,5 milhões.

Cláusulas contestadas

Segundo os conselheiros, duas cláusulas do contrato assinado no fim do ano passado ferem o estatuto social do clube. A primeira é a inclusão do CT Meninos da Vila como garantia de pagamento. O grupo alega que Teixeira tomou a decisão de forma exclusiva, sem a autorização expressa do Conselho Deliberativo, o que confrontaria os Artigos 80 (§ 1º) e 88 do estatuto. A segunda cláusula prevê a antecipação de toda a dívida caso Marcelo Teixeira não seja reeleito. Para os conselheiros, condicionar um pagamento à vitória eleitoral é uma medida ilegal e incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro.

O que diz o estatuto

O Artigo 80, § 1º, determina que bens imóveis só podem ser dados como garantia mediante autorização expressa do Conselho Deliberativo. Já o Artigo 88 proíbe expressamente a oneração do patrimônio social para custear despesas do desporto profissional, neste caso, especificamente, os direitos de imagem de Neymar.

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Detalhes da dívida de R$ 90,5 milhões

A dívida em questão é referente a atrasos nos pagamentos dos direitos de imagem do camisa 10 e foi dividida da seguinte forma: R$ 26 milhões pagos em cinco parcelas de R$ 5,2 milhões entre janeiro e maio de 2026; e R$ 64,5 milhões parcelados em 43 vezes de R$ 1,5 milhão a partir de junho de 2026, com correção pelo IPCA. Caso o Santos não honre o pagamento, a NR Sports, amparada pelo acordo, pode executar a garantia e tomar posse do CT Meninos da Vila.

Em contato com o UOL, os conselheiros reforçaram que não questionam a legitimidade da dívida ou o direito da empresa de receber, mas sim a forma como o patrimônio e o futuro político do clube foram envolvidos no acordo.

Santos nega violação do estatuto

Procurado pela reportagem, o Santos garante que o contrato em questão não violou disposições estatutárias nem qualquer legislação de natureza civil. O clube acrescenta que as partes envolvidas mantêm excelente relacionamento, existindo concreta possibilidade de novo aditamento ou repactuação ser em breve formalizado, questão que será oportunamente informada.

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