Justiça de Roraima condena quadrilha por venda de carro acidentado com morte por R$160 mil
Condenação por venda de carro acidentado com morte por R$160 mil em RR

Quadrilha é condenada por venda de carro de luxo com histórico de acidente fatal em Roraima

A Justiça de Roraima condenou quatro indivíduos envolvidos em um elaborado esquema de estelionato e fraude no sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RR). O caso, que chocou o estado, envolve a comercialização de um veículo de luxo com graves defeitos mascarados por R$ 160 mil para um casal desavisado, além da falsificação criminosa de uma vistoria veicular obrigatória.

Detalhes da operação fraudulenta e condenações

Os condenados, cujas penas foram estabelecidas pelo juiz Cleber Gonçalves Filho, da 1ª Vara Criminal, incluem:

  • Marcony Medeiros do Nascimento (vendedor): condenado a 6 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão em regime semiaberto pelos crimes de estelionato e inserção de dados falsos em sistema público.
  • Jaime Sales Rebouças (então chefe da Ciretran do Cantá): condenado a 2 anos e 8 meses pelo crime de inserção de dados falsos.
  • Leandro Modesto Rodrigues Galvão (despachante): condenado a 2 anos pela mesma infração.
  • Lúcio Costa de Andrade (estagiário do Detran na época): também condenado a 2 anos por validar documentação fraudulenta.

A decisão judicial, assinada nesta segunda-feira (9), ainda está sujeita a recursos. Um quinto acusado, sócio da empresa responsável pela venda, foi absolvido por falta de provas concretas sobre sua participação no esquema criminoso.

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O golpe milionário e suas consequências

O crime ocorreu entre o final de 2022 e o início de 2023, quando um casal adquiriu o veículo de Marcony Medeiros do Nascimento pela quantia exorbitante de R$ 160 mil. Imediatamente após deixar a loja, o automóvel começou a apresentar problemas mecânicos severos, incluindo travamento da direção e vazamento significativo de óleo.

Ao levar o carro para uma concessionária autorizada, as vítimas descobriram uma realidade alarmante: o veículo estava repleto de defeitos cuidadosamente disfarçados e possuía um histórico sombrio de envolvimento em um acidente com morte na estrada de Alto Alegre. Essa informação crucial foi deliberadamente ocultada pelo vendedor durante a negociação, caracterizando claramente a prática de estelionato.

Fraude sistêmica no Detran-RR

Para concretizar a transferência do veículo e burlar as exigências burocráticas, o grupo articulou uma fraude no sistema do Detran-RR. Eles simularam uma vistoria presencial na Ciretran do município de Cantá, datada de 2 de janeiro de 2023, onde o carro foi registrado como "intacto".

Contudo, a investigação demonstrou que essa declaração era completamente falsa. Na data indicada, o automóvel encontrava-se avariado, parado em uma oficina e sob a posse das vítimas em Boa Vista. O juiz destacou em sua sentença que tal informação era "flagrantemente falsa", evidenciando a má-fé dos envolvidos.

Laudo pericial revela reparos grosseiros

Um laudo pericial da Justiça, anexado a um processo cível que busca indenização pela venda fraudulenta, confirmou que o veículo recebeu reparos extremamente deficientes para esconder os danos do acidente anterior. Entre as irregularidades identificadas estão:

  1. Uma solda irregular e já enferrujada na longarina, peça estrutural fundamental cujo custo de reposição gira em torno de R$ 30 mil.
  2. Uma repintura de qualidade inferior, com manchas visíveis, descascamentos e diferenças de tom no capô e para-lamas.

O orçamento para corrigir todas as avarias detectadas no carro ultrapassava a marca de R$ 102 mil, valor que evidencia a extensão do prejuízo sofrido pelas vítimas.

Repercussões institucionais e posicionamentos

O Detran-RR informou, através de nota oficial, que ainda não foi notificado formalmente sobre a decisão judicial. Enquanto isso, o g1 tentou contato com a WM Veículos, loja responsável pela transação comercial, e com as defesas dos condenados, aguardando retorno.

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O magistrado responsável pelo caso enfatizou que Marcony Medeiros do Nascimento agiu com "nítido animus lucri faciendi" (intenção clara de lucro), induzindo e mantendo as vítimas em erro. Já os outros três condenados, por não terem participado diretamente do lucro da operação e por serem réus primários, tiveram suas penas de prisão convertidas em prestação de serviços comunitários e pagamento de valores em dinheiro.

Este caso serve como um alerta severo sobre os riscos existentes no mercado de veículos usados e a importância da transparência nas transações comerciais, especialmente quando envolvem bens de alto valor e segurança dos consumidores.