Marinheiro é condenado a 46 anos por matar irmãos em Itanhaém após discussão
Condenado a 46 anos por matar irmãos em marina de Itanhaém

Proprietário de marina condenado a 46 anos por duplo homicídio em Itanhaém

Elias Félix, dono de uma marina em Itanhaém, litoral de São Paulo, foi condenado a 46 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelo assassinato de dois irmãos em fevereiro de 2022. O Tribunal do Júri realizou o julgamento na última quinta-feira (12), mas o réu não compareceu e agora é considerado foragido da Justiça, com mandado de detenção expedido.

Detalhes do crime que chocou a comunidade

Os irmãos Maycon e Everton Oliveira Pereira de Andrade, de 27 e 28 anos, estavam na marina do bairro Coronel para andar de moto aquática quando entraram em discussão com o proprietário. Segundo a sentença obtida pelo g1, Maycon foi atingido de forma repentina enquanto conduzia a moto aquática, sem qualquer possibilidade de defesa.

As investigações revelaram que Everton pulou na água e nadou em busca de refúgio após os primeiros tiros, mas foi perseguido por Félix, que o alcançou, segurou pelo braço e efetuou disparo à curta distância na região craniana. "A dinâmica da ação evidencia que a vítima se encontrava em situação de extrema vulnerabilidade", destacou o juiz Rafael Vieira Patara, da 1ª Vara de Itanhaém.

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Impacto devastador na família das vítimas

O magistrado ressaltou na sentença o impacto profundamente devastador causado pela perda simultânea de dois integrantes do mesmo núcleo familiar. A esposa de Maycon estava grávida de cinco meses na época do crime, e a criança "sequer teve a oportunidade de conhecer o próprio pai, tampouco o tio".

O juiz acrescentou: "A perda simultânea de dois integrantes do mesmo núcleo familiar produziu impacto profundamente devastador na esfera familiar das vítimas, atingindo diretamente pais, irmã, esposas e filhos [...] Ressalte-se que ambos eram ainda jovens, circunstância que acentua a gravidade concreta das consequências do crime".

Defesa do acusado e alegações

Na época do crime, Félix alegou ter sofrido ameaças dos irmãos desde 2015 e afirmou que atirou porque Maycon pareceu buscar um revólver dentro da moto aquática durante a discussão. A defesa do réu não foi localizada para comentar a condenação até a última atualização desta reportagem.

O homem foi condenado por duplo homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Ele respondia ao processo em liberdade, mas agora tem mandado de prisão expedido contra si.

Reação das assistentes de acusação

As advogadas Ana Carolina Lopes da Silva Badaró e Heloyse Massola Cavalcante da Costa, que atuaram como assistentes de acusação, destacaram que foram mais de quatro anos de processo e aproximadamente 12 horas de julgamento. "Hoje, a família de Maycon e Everton podem dizer que a Justiça foi feita. Com o resultado, o réu, que não compareceu ao seu próprio julgamento, teve mandado de prisão expedido em seu desfavor", afirmaram em nota.

Elas pedem que informações sobre o paradeiro de Elias Félix sejam denunciadas para a Polícia Militar (190), disque denúncia (181) ou em qualquer delegacia. O caso continua mobilizando autoridades enquanto o condenado permanece foragido.

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