CNJ questiona desembargador que concedeu liberdade a chefe do PCC acusado de sequestrar a própria filha
CNJ questiona desembargador que soltou chefe do PCC

CNJ exige esclarecimentos de magistrado que libertou líder do PCC envolvido em caso familiar

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitou formalmente explicações ao desembargador responsável por conceder a liberdade provisória a Gerson Palermo, reconhecido como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). O criminoso, que acumula condenações somando quase 126 anos de prisão, está acusado de ordenar o sequestro da própria filha, Gabrielly Sanches Palermo, então com 25 anos, em outubro de 2025, na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Motivação financeira por trás do crime familiar

De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o objetivo do sequestro era pressionar o ex-sogro de Palermo a pagar uma suposta dívida que variava entre US$ 100 mil e 200 mil euros. A quantia referia-se a valores que o líder do PCC teria deixado sob a guarda de Salvador Sanches ainda em 2015. Em uma reviravolta judicial significativa, meses após o resgate, a Justiça autorizou que Gabrielly atue como assistente de acusação no processo criminal movido contra seu próprio pai. O marido da vítima, Weslley Henrique Sorti de Almeida, também requereu participação na ação.

Detalhes brutais do cativeiro e resgate

O crime foi apurado pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras). A denúncia do MPMS aponta Reinaldo Silva de Farias como cúmplice na execução, mantendo Gabrielly em cativeiro em sua própria residência. Durante o período, foram feitas ligações ameaçadoras exigindo o pagamento do resgate, incluindo o envio de uma fotografia da vítima amarrada no chão. Gabrielly foi localizada e libertada pela polícia em 25 de outubro de 2025, em uma casa no bairro Moreninhas, em Campo Grande.

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Em seu depoimento, a jovem relatou ter sofrido agressões físicas severas, incluindo chutes, socos, puxões de cabelo e golpes com a coronha de uma arma de fogo na cabeça, permanecendo amarrada durante grande parte do cativeiro. O marido dela também recebeu ameaças diretas, embora o valor do resgate nunca tenha sido efetivamente pago.

Prisão e histórico criminal extenso de Palermo

Durante as buscas, a polícia prendeu Reinaldo Silva de Farias, de 34 anos, apreendendo armas de fogo, celulares e um veículo utilizado no crime. Inicialmente preso em flagrante, ele posteriormente recebeu liberdade provisória com tornozeleira eletrônica e restrições de distância. Gerson Palermo, por sua vez, possui um longo histórico criminal. Ele foi condenado a 66 anos e 9 meses pelo sequestro de um avião da Vasp em 2000, onde sua quadrilha roubou aproximadamente R$ 5,5 milhões do Banco do Brasil. Em 2017, na Operação All In da Polícia Federal, foi condenado a mais 59 anos por tráfico internacional de drogas, após a apreensão de 810 quilos de cocaína.

Fuga e punição ao desembargador

Palermo cumpria pena no Estabelecimento Penal Federal de Segurança Máxima de Campo Grande quando, em 2020, obteve autorização judicial para cumprir prisão domiciliar, alegando problemas de saúde. Poucas horas após deixar o presídio, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, permanecendo foragido desde então. A decisão que concedeu a prisão domiciliar foi posteriormente anulada. Em fevereiro deste ano, o CNJ aplicou ao então desembargador Divoncir Schreiner Maran a pena de aposentadoria compulsória, após constatar que a medida foi tomada sem comprovação médica adequada e extrapolou os limites da atuação judicial. O conselho também identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada do magistrado.

O caso segue sob investigação, com o CNJ reforçando a necessidade de transparência e responsabilidade no sistema judiciário, especialmente em processos envolvendo figuras de alto perfil criminal.

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