Oito anos após assassinato, caso Marielle Franco chega ao STF para julgamento dos mandantes
Caso Marielle: STF julga mandantes após oito anos de investigação

Oito anos de luta por justiça: caso Marielle Franco avança para julgamento histórico no STF

Em março de 2026, completam-se oito anos do assassinato que abalou o Brasil: a vereadora carioca Marielle Franco, de 38 anos, símbolo da luta por direitos humanos, foi executada a tiros em 2018, em um crime que também vitimou seu motorista Anderson Gomes. O atentado, ligado à expansão das milícias no Rio de Janeiro, transcendeu a crise de segurança local e mobilizou a atenção nacional, culminando agora em um momento crucial: o julgamento dos supostos mandantes pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Investigação marcada por obstáculos e reviravoltas

As investigações, iniciadas pela Polícia Civil do Rio e pelo Ministério Público do Estado, enfrentaram um caminho tortuoso, com idas e vindas que revelaram tentativas de blindar os verdadeiros responsáveis. Em 2019, os assassinos diretos, Ronnie Lessa (atirador) e Élcio de Queiroz (motorista do carro usado na emboscada), foram presos, mas o caso permaneceu estagnado até 2023, quando Élcio aceitou um acordo de colaboração premiada.

Em sua delação, Élcio admitiu a participação no crime e detalhou minuciosamente o planejamento e a execução do atentado, implicando diretamente Ronnie Lessa. Sob pressão, Lessa seguiu o mesmo caminho e confessou seu envolvimento na morte da vereadora em 2024, por meio de outro acordo de colaboração premiada. Essas delações foram fundamentais para dar uma guinada nas apurações, conectando os executores aos supostos mandantes: os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal.

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Transferência ao STF e prisões dos acusados

Como Chiquinho Brazão ainda exercia mandato parlamentar na época – ele foi cassado em 2025 –, o inquérito foi transferido ao STF devido ao foro privilegiado. O ministro Alexandre de Moraes assumiu a relatoria das investigações e, em março de 2024, decretou a prisão dos irmãos Brazão e do delegado de Polícia Civil Rivaldo Barbosa, suspeito de auxiliar no planejamento do crime e obstruir as apurações.

Atualmente, os três permanecem presos: Chiquinho Brazão em prisão domiciliar, e Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa em presídios federais. Enquanto isso, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz já foram condenados em primeira instância, recebendo penas de 78 anos e 9 meses e 59 anos e 8 meses de prisão, respectivamente, aguardando recursos.

Significado do julgamento e expectativas para a justiça

O julgamento no STF representa um marco na busca por justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes, refletindo a persistência de investigações que enfrentaram tentativas de obstrução. A sociedade acompanha com expectativa este processo, que pode esclarecer definitivamente as motivações por trás do crime e responsabilizar os envolvidos em níveis mais altos, reforçando a importância do combate à impunidade e à violência política no Brasil.

Com o passar dos anos, o legado de Marielle Franco continua a inspirar movimentos sociais e a pressionar por transparência e efetividade nas instituições jurídicas, tornando este julgamento não apenas um evento legal, mas um símbolo de resistência e esperança para muitos brasileiros.

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