Operação do Bope resulta na morte de chefe do Comando Vermelho e seis suspeitos no Rio
Uma intensa operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) realizada nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, no Morro dos Prazeres, comunidade localizada na região central do Rio de Janeiro, culminou na morte de um dos principais chefes do Comando Vermelho e mais seis suspeitos. O líder do tráfico, identificado como Cláudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló, era responsável pelo comando da facção criminosa na favela dos Prazeres, situada entre os bairros de Santa Teresa e Rio Comprido.
Morador é vítima fatal após ser feito refém por criminosos
Além dos envolvidos com o crime, um morador da comunidade, Leandro Silva Souza, também perdeu a vida durante o confronto. De acordo com informações da Polícia Militar, ele e sua esposa, Roberta, foram feitos reféns por traficantes que invadiram sua residência no decorrer do cerco policial. O comandante do Bope, Marcelo Corbage, descreveu o episódio como uma "ação covarde" por parte dos criminosos.
"Eles, numa ação covarde, entraram numa residência, colocaram o casal como refém. Nós entramos no imóvel e começamos a negociação preliminar. No momento em que estávamos buscando uma solução pacífica, houve disparos de dentro da casa", relatou Corbage, acrescentando que Leandro foi atingido por um tiro na cabeça. Diante da situação, os policiais reagiram com disparos, resultando na morte dos seis suspeitos que estavam no local.
Jiló era figura central no Comando Vermelho com extensa ficha criminal
O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, destacou que Jiló era "uma liderança importante dentro da cadeia do Comando Vermelho" e expressou expectativa de um "grande baque" na facção com as recentes operações contra seus chefes. O traficante possuía 135 anotações criminais e oito mandados de prisão em aberto, sendo considerado uma figura extremamente violenta no cenário do crime organizado carioca.
"Essa ação de hoje especificamente era voltada para a quadrilha do traficante Jiló. Nós identificamos através de monitoramento a residência onde ele se escondia, isso ontem. A partir das primeiras horas de hoje determinei essa ação", afirmou Menezes, enfatizando a precisão do trabalho de inteligência que antecedeu a operação.
Criminosos incendeiam ônibus em retaliação, causando transtornos no trânsito
Em resposta à operação policial, criminosos promoveram um ato de retaliação pela manhã, incendiando um ônibus na movimentada Avenida Paulo de Frontin, próxima ao acesso ao Túnel Rebouças. O incidente colocou toda a população da região sob tensão e resultou em interdições viárias significativas. O Centro de Operações Rio informou que uma faixa do Elevado Paulo de Frontin permaneceu fechada no sentido Túnel Rebouças devido aos trabalhos do Corpo de Bombeiros.
Segundo a Rio Ônibus, sete coletivos tiveram suas chaves retiradas e foram utilizados como barricadas no Rio Comprido, incluindo o veículo que foi incendiado. Onze linhas de ônibus sofreram desvios, mas a expectativa era de que a operação fosse normalizada até o final do dia, desde que não houvesse novos ataques ou ameaças.
Operações policiais se estendem por outras comunidades da região
Além do Morro dos Prazeres, as favelas do Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos também foram palco de operações policiais desde terça-feira, 17 de março. Essas ações fazem parte de uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado na capital fluminense, visando desarticular redes de tráfico e recuperar o controle de territórios dominados por facções.
A morte de Jiló representa um golpe significativo para o Comando Vermelho, mas também evidencia os riscos enfrentados por moradores inocentes em meio a confrontos entre policiais e criminosos. A situação reforça a necessidade de abordagens que priorizem a segurança da população civil durante operações de alto risco em áreas urbanas.



