Audiências de instrução do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho começam hoje
Audiências de instrução da tragédia de Brumadinho começam hoje

Audiências de instrução do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho têm início nesta segunda-feira

Começam nesta segunda-feira (23) as audiências de instrução e julgamento dos réus envolvidos no rompimento da Barragem B1, localizada no Complexo Minerário do Córrego do Feijão, em Brumadinho. A tragédia, que ocorreu em 25 de janeiro de 2019, resultou em 272 vítimas fatais, conforme dados oficiais.

Cronograma extenso e detalhes das sessões

De acordo com o cronograma divulgado pela Justiça Federal, estão previstos 76 dias de audiência, que devem ocorrer entre esta segunda-feira (23) e 17 de maio de 2027. Nesse período, serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além dos interrogatórios dos réus. As sessões serão realizadas no plenário do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, no bairro Santo Agostinho, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

A previsão é de que as audiências ocorram preferencialmente de forma presencial, mas poderão ser realizadas por videoconferência, mediante solicitação das partes envolvidas no processo.

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Entenda o julgamento e os motivos da demora

Sete anos após o rompimento da barragem, a Justiça começa a ouvir as testemunhas. Ao todo, 51 pessoas devem depor nesta fase inicial, incluindo familiares das vítimas, sobreviventes e os próprios réus. A demora no processo é atribuída a vários fatores, como a disputa entre Justiça Estadual e Federal, a digitalização de 84 volumes do processo, a citação de réus no exterior e recursos que suspenderam prazos.

Além disso, o prazo para as defesas responderem à acusação foi ampliado de 10 para 100 dias, o que contribuiu para o prolongamento do caso. Os interrogatórios dos 15 réus vão ocorrer ao final das audiências, conforme prevê a legislação brasileira. Familiares das vítimas, representados pela Avabrum, terão a oportunidade de acompanhar as audiências de perto.

Quem são os acusados e o foco do julgamento

Os acusados são engenheiros, gerentes e diretores ligados à Vale (11 pessoas) e à TÜV SÜD (4 pessoas). O ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, foi excluído por decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, mas o recurso do Ministério Público está em análise no Superior Tribunal de Justiça.

O foco do julgamento está na alegação do Ministério Público, que sustenta homicídio doloso com dolo eventual, afirmando que havia alertas sobre o risco de rompimento da barragem. As defesas, por outro lado, argumentam que o rompimento foi imprevisível e atribuem a causa a uma sondagem realizada pela empresa FUGRO.

Possíveis desfechos e posicionamento da Vale

Nesta fase, a Justiça Federal decide apenas se há indícios suficientes para levar o caso ao Tribunal do Júri. Se houver pronúncia, sete jurados vão decidir o destino dos réus. Em caso de condenação por homicídio qualificado, a pena pode variar de 12 a 30 anos por vítima, dentro do limite legal de cumprimento.

Em nota, a Vale reafirmou seu respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reiterou seu compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa não comenta ações judiciais em andamento. O g1 entrou em contato com as empresas TÜV SÜD e FUGRO e aguarda retorno.

Relembre a tragédia de Brumadinho

A tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, quando a Barragem B1 da mina Córrego do Feijão, da Vale, se rompeu em Brumadinho. Milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração atingiram instalações da empresa e áreas rurais, além de contaminar o Rio Paraopeba.

Ao todo, 272 pessoas morreram — a maioria trabalhadores que estavam no refeitório e na área administrativa da mineradora no momento do rompimento. Duas vítimas nunca foram localizadas. O caso gerou investigações criminais contra funcionários da Vale e da empresa alemã TÜV SÜD, além de acordos bilionários de reparação. Sete anos depois, o processo ainda tem desdobramentos na Justiça.

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