Rapper Afroman vence processo de difamação movido por policiais de Ohio
Afroman vence processo de difamação movido por policiais

Rapper Afroman vence ação de difamação movida por sete policiais de Ohio

O rapper Afroman, indicado ao Grammy pela música "Because I got high", obteve vitória judicial nesta quarta-feira (18) em um processo de difamação movido por sete policiais do estado americano de Ohio. Os agentes processaram o artista após ele utilizar imagens de câmeras de segurança de sua própria residência em clipes musicais que satirizavam uma operação policial realizada no local em 2022.

Caso testa limites da paródia e liberdade artística

O julgamento colocou em discussão os limites da paródia e a liberdade que artistas possuem para realizar comentários sociais sobre figuras públicas. Coletivamente, os policiais solicitavam quase US$ 4 milhões (equivalente a aproximadamente R$ 21 milhões) em danos morais, argumentando que sofreram assédio público devido aos vídeos, que ultrapassaram 3 milhões de visualizações no YouTube.

Durante seu depoimento, Joseph Foreman — nome verdadeiro do rapper de 51 anos — foi enfático: "Toda a operação foi um erro. A culpa é toda deles. Se não tivessem invadido minha casa injustamente, não haveria processo. Eu nem saberia os nomes deles". Ele complementou: "Eles não estariam no meu sistema de vigilância e não haveria músicas, nada".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Imagens da invasão inspiram músicas de crítica

As gravações mostram agentes fortemente armados arrombando a porta da residência, revistando sapatos, bolsos de ternos e observando atentamente um bolo sobre a mesa da cozinha — cena que inspirou a canção "Lemon pound cake" ("Bolo de limão"). Em outros materiais, Afroman abordou a vida pessoal dos policiais e os denominou "policiais corruptos", citando o desaparecimento de US$ 400 durante a operação.

"Policiais não deveriam roubar dinheiro de civis", declarou o artista. "Tudo isso é um absurdo". No tribunal, vestindo um terno estampado com a bandeira dos Estados Unidos, ele defendeu seu trabalho com base na Primeira Emenda da Constituição americana, que garante liberdade de expressão, e afirmou que lançou as "diss tracks" (músicas de ataque) para cobrir prejuízos materiais da invasão, incluindo portão e porta danificados.

Repercussões emocionais e alegações das partes

Os policiais do condado de Adams relataram impactos emocionais significativos. A agente Lisa Phillips afirmou que Afroman criou um vídeo "depreciativo" que questionava seu gênero e sexualidade. O sargento Randy Walters testemunhou que seu filho sofreu bullying na escola devido às postagens e chegava em casa chorando. "Em que lugar do mundo é aceitável inventar algo por diversão que prejudica os outros, quando se sabe com certeza que é uma mentira absoluta?", questionou Walters.

O advogado de Afroman rebateu, argumentando que não é incomum artistas envolvidos com críticas sociais utilizarem exageros. Já Robert Klingler, representante dos policiais, sustentou que o rapper mentiu sobre "esses sete bravos agentes" nos últimos três anos. "Mesmo que alguém faça algo que te machuque ou que você considere errado — como a execução de um mandado de busca que você ache injusto — isso não justifica contar mentiras intencionais projetadas para ferir pessoas", argumentou Klingler.

Contexto da operação e desfecho judicial

Nenhuma acusação foi formalizada após a operação de 2022, que, conforme o mandado, integrava uma investigação sobre drogas e sequestro. Afroman, que reside em Winchester (a cerca de 80 km de Cincinnati), destacou em depoimento seu direito de relatar aos amigos e fãs o ocorrido, mencionando que a ação traumatizou seus filhos, então com 10 e 12 anos.

As letras das músicas, como "Will You Help Me Repair My Door?" ("Você vai me ajudar a consertar minha porta?"), questionam diretamente os policiais: "Encontraram o que estavam procurando?/Aceitam uma fatia de bolo de limão?/Podem levar o quanto quiserem/Deve ser um grande engano". O vídeo desacelera cenas de um agente armado próximo ao bolo, enquanto o rapper canta: "O mandado dizia: 'Narcóticos e sequestro'/Tá brincando? Eu ganho meu dinheiro rimando".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar