Operação Smoke da Polícia Civil mira advogados e bacharel em Direito em Cuiabá
Três profissionais do Direito foram identificados como alvos da Operação Smoke, realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta quarta-feira (4), em Cuiabá. Os investigados são Gustavo Barros dos Santos, Dimas Pimentel Barroso e Liomar Santos de Almeida, acusados de prometer decisões judiciais favoráveis a pessoas presas em troca de pagamentos elevados.
Perfis dos investigados e atuação profissional
Nas redes sociais, Dimas Pimentel Barroso se apresenta como criminalista, com escritório especializado na área criminal na capital mato-grossense. Liomar Santos de Almeida menciona que, além de advogado, é CEO de uma empresa de desenvolvimento artístico. Gustavo Barros dos Santos descreve em seu currículo que atuou como estagiário no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e na Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) emitiu nota informando que acompanhou a operação por meio do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) e que o caso será avaliado pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para as medidas cabíveis. O g1 tenta localizar a defesa dos investigados para obter posicionamento.
Modus operandi e investigações detalhadas
As investigações da Polícia Civil apontaram que o grupo abordava familiares de detentos e garantia decisões favoráveis, alegando possuir influência com alguns membros do Judiciário. Para isso, exigia o pagamento de valores elevados, sob o argumento de que o dinheiro seria destinado a pessoas com suposta capacidade de interferir nas decisões.
Segundo as autoridades, as negociações ocorriam por meio de encontros presenciais e conversas por aplicativos de mensagens. Os investigados orientavam que as negociações fossem mantidas em absoluto sigilo, reforçando a clandestinidade das operações.
Medidas cautelares e quebras de sigilo na operação
Na ação desta quarta-feira, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nos Bairros Pico do Amor, Santa Rosa e Residencial Coxipó, além de três mandados de imposição de medidas cautelares diversas e nove ordens de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático.
Conforme a polícia, as medidas cautelares incluem:
- Comparecimento periódico em juízo
- Proibição de manter contato com os demais investigados e com testemunhas
- Proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial, com entrega do passaporte
- Monitoramento eletrônico com uso de tornozeleira
Já as quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático têm como objetivo aprofundar a análise da movimentação financeira e das conversas mantidas pelos investigados, a fim de identificar a origem e o destino do dinheiro supostamente obtido, além da dinâmica do grupo criminoso.
Contexto e próximos passos do caso
A Operação Smoke representa mais um capítulo no combate à corrupção no sistema judiciário de Mato Grosso, destacando a vulnerabilidade de familiares de detentos que buscam alternativas ilegais para obter benefícios processuais. As investigações continuam em andamento, com a expectativa de que novas descobertas possam surgir a partir da análise dos materiais apreendidos e dos dados obtidos com as quebras de sigilo.
A sociedade aguarda o desfecho do caso, que será acompanhado de perto tanto pela Polícia Civil quanto pela OAB-MT, garantindo que a justiça seja aplicada de forma transparente e eficaz.



